Câmara aprova protocolo clínico no SUS para dependência tecnológica

Texto prevê diagnóstico pelos critérios da CID/OMS, avaliação multidisciplinar e prazo de 180 dias para regulamentação.
Câmara aprova protocolo clínico no SUS para dependência tecnológica
Comissão de Saúde da Câmara aprova protocolo no SUS para dependência tecnológica, com diagnóstico pela CID/OMS (Foto: Reprodução)

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou proposta que cria um protocolo clínico no SUS para tratar a dependência tecnológica decorrente do uso abusivo de internet, redes sociais, videogames e outros dispositivos digitais.

O que muda

  • Diagnóstico: seguirá os critérios da Classificação Internacional de Doenças (CID), da OMS, e a Lei 12.842/2013 (ato médico).
  • Avaliação do paciente: abordagem multidisciplinar dos impactos funcionais, sociais e psicológicos.
  • Equipe de referência: psiquiatras, neurologistas e psicólogos, com foco em terapia cognitivo-comportamental.
  • Regulamentação: o Ministério da Saúde terá até 180 dias para detalhar diretrizes, capacitar profissionais e criar centros de referência regionais.

Contexto internacional

A OMS não reconhece “vício em tecnologia” como doença. Desde 2019, porém, inclui na CID o transtorno por uso de jogos eletrônicos (gaming disorder), caracterizado por perda de controle, prioridade excessiva ao jogo e persistência do padrão apesar de consequências negativas.

O que foi aprovado

O texto é um substitutivo do relator Allan Garcês (PP-MA) ao PL 2218/2015 (Marcos Abrão e Rubens Bueno), que recebeu apensado o PL 11013/2018 (Carlos Henrique Gaguim). Garcês classificou o uso excessivo e compulsivo da internet como problema de saúde pública, citando efeitos como comprometimento do sono, distração, ansiedade, déficit de atenção e alterações de humor associados ao “scrolling” interminável.

Próximos passos

A matéria segue, em caráter conclusivo, para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovada, vai ao Plenário apenas se houver recurso. Para virar lei, ainda precisa do aval da Câmara e do Senado.