Após Expo Indústria, setor de bebidas do MA define reação coordenada à adulteração com metanol

Encontro no Sebraelab traçou respostas de curto, médio e longo prazo, com comitê de crise e campanhas de orientação.
Após Expo Indústria, setor de bebidas do MA define reação coordenada à adulteração com metanol
A articulação busca proteger consumidores, dar previsibilidade ao mercado e evitar que fabricantes regularizados sejam atingidos (Foto: Reprodução)

São Luís — Em continuidade à 6ª Expo Indústria Maranhão, representantes do segmento de bebidas e de instituições públicas e privadas se reuniram neste domingo (5), no Sebraelab, para alinhar medidas diante do risco sanitário provocado pela presença ilegal de metanol em bebidas alcoólicas. A articulação busca proteger consumidores, dar previsibilidade ao mercado e evitar que fabricantes regularizados sejam atingidos por práticas ilícitas.

Participaram lideranças do setor produtivo e de entidades de fiscalização e apoio empresarial — Fiema, Sebrae-MA, Mapa, Vigilância Sanitária Estadual, Seinc, IEL, Abrasel-MA, Sindibebidas — além de produtores de cachaça, cerveja artesanal e outras bebidas. Na abertura, Celso Gonçalo (Sebrae-MA) defendeu o alinhamento interinstitucional para preservar a confiança do público; Jorge Fortes (Sindibebidas) reforçou a necessidade de medidas com efeito imediato, acompanhadas de ações estruturantes.

Três encaminhamentos imediatos

  1. Plano multissetorial com governo do Estado, órgãos de controle, produtores e entidades empresariais.
  2. Comunicação emergencial para orientar consumidores, bares, restaurantes e distribuidores.
  3. Programa de regularização e qualificação voltado a produtores informais, com metas e suporte técnico.

O Mapa/MA informou que intensificou o mapeamento de bebidas ilegais e propôs levar a São Luís a caravana “Bebida Boa é Bebida Legal”, realizada em Imperatriz, unindo educação, incentivo à formalização e fiscalização. Produtores retomaram o histórico do Cartima (Fiema, Sebrae-MA e Sindibebidas) e solicitaram ampliar testes laboratoriais e assistência técnica, para acelerar a conformidade sanitária.

A Vigilância Sanitária Estadual destacou que as medidas devem equilibrar proteção à saúde e sustentabilidade econômica do setor. A Abrasel-MA pontuou que bares e restaurantes são aliados na identificação e denúncia de irregularidades. A Seinc sugeriu a criação de um Comitê de Crise e a ampliação da rede de parceiros — Sefaz, Procon, Jucema, Agerp e entidades do setor produtivo.

Contexto: riscos e prevenção

Casos de intoxicação por bebidas com metanol — solvente industrial tóxico — foram registrados em outros países e, recentemente, em estados brasileiros. No Maranhão não há casos notificados, mas o governo estadual intensificou ações preventivas. A SES publicou a Nota Técnica Conjunta nº 01/2025, com diretrizes para notificação imediata de suspeitas, capacitação de equipes e fiscalização do comércio de bebidas.

Os sintomas podem surgir entre 12 e 24 horas após a ingestão: visão borrada, sensibilidade à luz, náuseas, dor abdominal, confusão e convulsões. Quadros graves podem evoluir para insuficiência renal, coma e óbito. A orientação é buscar atendimento médico ao menor sinal de suspeita.

Fiscalização preventiva e orientação ao consumidor

A Vigilância Sanitária estadual ampliou fiscalizações em bares, restaurantes, distribuidoras, mercados, eventos e plataformas de e-commerce. Na sexta-feira (3), o Procon/MA, com a Polícia Civil, realizou operação preventiva na Grande Ilha para retirar de circulação possíveis produtos irregulares. A presidência do Procon/MA ressaltou o caráter integrado das ações e o foco na segurança do consumidor.

Quem participou

Estiveram presentes 17 articuladores: Celso Gonçalo (Sebrae-MA), Jorge Fortes (Sindibebidas/Fiema), Wellington Reis (SFA/Mapa-MA), Edmilson Diniz (Vigilância Sanitária Estadual), Larissa Leite (Sebrae-MA), Camila Di Minda (Abrasel-MA), Ubiratan Silva (Seinc), Raul Loiola (IEL/Fiema), Jorge Ximenes (Hops Beer), Francisco Rocha (PSiu), Ana Valéria Ambrósio (Cachaça Santo Ambrósio), Gabriel Santos (Revis), Luciana Silva (Sindibebidas), Lucas Araújo (Mestre Cana), Thaynara Viegas (Zest Drinks), Lindomar Torres (Cachaça Vale do Brejão) e Hindi Champoudry (cerveja Mitológica).


Serviço ao leitor — como denunciar

  • PROCON/MA: aplicativo VIVA PROCON ou site procon.ma.gov.br
  • Ouvidoria do SUS/SES: 0800-1600-160 | (98) 3210-5057 | (98) 3210-5058 | ouvidoria@saude.ma.gov.br
  • Recomendações: evite bebidas de procedência desconhecida; verifique rótulo, lacre e registro; em caso de suspeita, não consuma e denuncie.

Próximos passos

O grupo trabalha na formalização do Comitê de Crise, na agenda de comunicações públicas e no plano técnico de regularização de produtores informais, com ênfase em testes, qualificação, rastreabilidade e cooperação entre fiscalização e setor produtivo. A meta é blindar o mercado maranhense, fortalecer a confiança do consumidor e valorizar a produção local.