O governo federal prepara uma operação considerada excepcional para tentar reequilibrar as contas dos Correios. O Tesouro Nacional deve atuar como garantidor de um empréstimo de até R$ 20 bilhões, a ser articulado com bancos públicos e privados. A garantia permite que a estatal acesse crédito mesmo sem capacidade atual para obter aval tradicional, com juros menores e prazo mais longo. Em caso de inadimplência, a União quita a dívida e posteriormente busca ressarcimento junto à empresa.
Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, o aval do Tesouro é crucial para a recuperação no médio e longo prazo. A operação teria atraído o interesse de Banco do Brasil, Caixa, BTG Pactual e Citibank e é vista como indispensável diante da magnitude dos recursos — algo dez vezes superior ao obtido em financiamentos anteriores sem garantia da União.
Reestruturação em várias frentes
O plano de ajuste inclui:
- Corte de despesas e renegociação de contratos;
- Venda de imóveis e outros ativos não operacionais;
- Programa de Demissão Voluntária (PDV);
- Busca por novas fontes de receita e modernização de serviços.
A estatal estima a necessidade de R$ 10 bilhões em 2025 e mais R$ 10 bilhões em 2026 para capital de giro e adequações internas, com a meta de retornar ao lucro em 2027.
Resistência política e pressão por explicações
A proposta enfrenta resistência no Congresso. O líder da oposição, deputado Zucco (PL-RS), pediu a convocação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para detalhar a operação e defende a criação de uma subcomissão para investigar a gestão da estatal, com possibilidade de uma CPMI.
Números no vermelho
A crise financeira dos Correios se aprofundou em 2025: a empresa registrou prejuízo de R$ 2,64 bilhões no 2º trimestre e acumula perdas de R$ 4,37 bilhões no 1º semestre, quase três vezes o déficit do ano anterior — cenário que pressiona o governo a acelerar a solução de curto prazo enquanto executa a reestruturação.






