Anvisa aprova Mounjaro para apneia do sono em adultos com obesidade

Decisão publicada no DOU nesta segunda (20) amplia a bula da medicação para tratar apneia obstrutiva do sono moderada a grave.
Anvisa aprova Mounjaro para apneia do sono em adultos com obesidade
Anvisa aprovou o uso de Mounjaro para tratamento da apneia obstrutiva do sono (Foto: Divulgação)

A Anvisa aprovou uma nova indicação do Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) em adultos com obesidade e quadro moderado a grave. A resolução foi assinada na sexta (17) e publicada nesta segunda (20) no Diário Oficial da União. Com isso, o medicamento — já autorizado no país para diabetes tipo 2 e controle crônico de peso — passa a ser a primeira terapia farmacológica registrada no Brasil para AOS nessa população, segundo os relatos de imprensa e a nota da agência.

O que é a AOS e por que isso importa

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por colapsos/obstruções das vias aéreas durante o sono, levando a pausas respiratórias (medidas pelo índice AHI), queda de oxigênio, despertares e sonolência diurna, além de associação a risco cardiovascular aumentado. Até agora, o pilar do cuidado incluía mudança de estilo de vida, perda de peso e CPAP (aparelho de pressão positiva). A chegada de uma opção farmacológica com evidência robusta acrescenta uma peça nova ao manejo — sobretudo para pessoas com obesidade e AOS, em quem o peso é componente-chave da fisiopatologia.

A base científica da aprovação

A decisão da Anvisa apoia-se nos ensaios de fase 3 SURMOUNT-OSA, publicados em 2024 no New England Journal of Medicine. Nos estudos, tirzepatida (10–15 mg/semana) reduziu significativamente o AHI (número de eventos de apneia/hipopneia por hora), promoveu perda de peso e melhora de marcadores cardiometabólicos, tanto em pacientes sem CPAP quanto naqueles em uso de CPAP. Em termos clínicos, a droga diminuiu a severidade da AOS e melhorou desfechos relatados pelos pacientes.

Os autores destacam redução do AHI, do “fardo hipóxico”, de inflamação (hs-CRP) e da pressão arterial sistólica, além de melhoras em medidas de qualidade do sono — resultados consistentes entre os dois estudos de 52 semanas.

Para quem é a nova indicação

  • Adultos com obesidade (IMC ≥30) e AOS moderada a grave;
  • A aprovação não substitui avaliação médica individualizada nem descontinua CPAP quando indicado; o uso pode ser combinado ou alternado conforme resposta clínica. Detalhes de elegibilidade e titulação ficam na bula atualizada.

O que muda na prática clínica

  • Opção adicional ao CPAP e às estratégias de controle de peso;
  • Potencial de reduzir dependência de CPAP em parte dos pacientes responsivos (caso a redução do AHI atinja faixas leves), sempre a critério do médico;
  • Monitoramento permanece essencial (polissonografia/HSAT, sintomas diurnos, comorbidades).

Segurança, acesso e disponibilidade

Os eventos adversos mais comuns da tirzepatida são gastrointestinais leves a moderados (náusea, diarreia, constipação) e tendem a reduzir com escala gradual de dose. O produto é de uso sob prescrição e não deve ser substituído por versões manipuladas, que não têm comprovação de equivalência. Em comunicados públicos, a fabricante reportou intermitências de abastecimento no passado por demanda global; a disponibilidade local pode variar. Consulte médico e farmácias para orientação de uso e acesso.

O que dizem as fontes

  • Publicação oficial/DOU e imprensa: aprovação da nova indicação para AOS moderada a grave em adultos com obesidade; decisão assinada em 17.out e publicada em 20.out.
  • Base científica: NEJM (SURMOUNT-OSA) e notas técnicas correlatas resumem a eficácia e o racional do uso.

Em resumo

  • O que foi aprovado: Mounjaro (tirzepatida) para AOS moderada a grave em adultos com obesidade.
  • Por que: Ensaios de fase 3 mostraram redução robusta do AHI e perda de peso, com benefícios cardiometabólicos.
  • Como usar: Prescrição médica, titulação semanal e seguimento com equipe de sono/metabolismo; não substituir orientação clínica nem suspender CPAP sem avaliação.
  • Onde acompanhar: site/Health Dashboard da Anvisa e atualizações de bula; imprensa e comunicados oficiais trazem os marcos regulatórios e operacionais