O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (24), que a estratégia de combate às drogas precisa ir além da repressão aos traficantes e alcançar políticas direcionadas aos usuários. Ao comentar a ofensiva dos Estados Unidos contra o narcotráfico no exterior, Lula disse que “os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, defendendo uma abordagem que envolva prevenção, tratamento e redução de danos.
Em entrevista a jornalistas, o presidente criticou ações unilaterais de Washington em áreas sob a jurisdição de outros países. Segundo ele, qualquer punição deve ser precedida de julgamento e provas, com respeito à autodeterminação dos povos e à soberania territorial.
“Antes de punir alguém, eu tenho que julgar essa pessoa. Eu tenho que ter provas. Você não pode simplesmente dizer que vai invadir, que vai combater o narcotráfico na terra dos outros, sem levar em conta a Constituição dos outros países, a autodeterminação dos povos e a soberania territorial”, afirmou.
Lula também rechaçou a lógica de “polarização do bem contra o mal” e reforçou que o mercado das drogas se sustenta por uma relação de oferta e demanda que precisa ser enfrentada em ambas as pontas:
“Possivelmente fosse mais fácil combater os nossos viciados internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também. Há gente que vende porque tem quem compre.”
Cooperação em vez de incursões unilaterais
O presidente destacou que o Brasil tem intensificado a articulação entre Polícia Federal e polícias estaduais no enfrentamento ao tráfico de drogas e armas e ao contrabando, mas ponderou que crimes transnacionais exigem coordenação entre países:
“É muito melhor os Estados Unidos se disporem a conversar com a polícia dos outros países, com os Ministérios da Justiça, para fazermos uma ação conjunta. Se a moda pega e cada um acha que pode invadir o território do outro para fazer o que quer, onde fica a respeitabilidade da soberania?”
Lula disse estar disposto a debater o tema em encontro com o presidente americano, desde que o assunto esteja na pauta.






