Neurologista é presa suspeita de mandar matar farmacêutica para assumir guarda da filha da vítima

Vizinho e filho dele também foram presos como supostos executores do crime.
Neurologista é presa suspeita de mandar matar farmacêutica para assumir guarda da filha da vítima
Médica Claudia Soares Alves, presa por sequestrar bebê, foi presa novamente (Foto: Reprodução)

A médica neurologista Cláudia Soares Alves, ex-professora da UFU, foi presa na quarta-feira (5) em Itumbiara (GO), suspeita de mandar matar a farmacêutica Renata Bocatto Derani, assassinada a tiros em 7 de novembro de 2020, em Uberlândia (MG).

Segundo a Polícia Civil, a motivação seria a obsessão da investigada em assumir o papel de mãe da filha da vítima.


O que diz a investigação

  • De acordo com o delegado Eduardo Leal, Cláudia foi casada brevemente com o ex-marido de Renata e passou a conviver com a criança.
  • Nesse período, a médica teria tentado impor rotinas à menina (vestuário e comportamento) e feito comunicações falsas de crime contra a mãe para tentar retirá-la do poder familiar.
  • Após a separação, a investigada teria planejado o homicídio de Renata para retomar o relacionamento e ficar com a menina.

Prisões e possíveis envolvidos

  • Além de Cláudia, foram presos temporariamente um vizinho e o filho dele, apontados como executores.
  • A Polícia Civil apura se houve pagamento e qual teria sido o valor oferecido.
  • Os três foram transferidos para Uberlândia. As prisões podem ser prorrogadas ou convertidas em preventivas, conforme o andamento do inquérito.

Antecedentes atribuídos à médica

  • Cláudia é investigada por falsidade ideológica e tráfico de pessoas após o sequestro de um recém-nascido em 2020, em uma maternidade de Uberlândia.
  • Na época, teria usado documentos falsos para registrar a bebê como filha. Foi presa, demitida da UFU e, desde março deste ano, respondia em liberdade.
  • Segundo a polícia, a médica tentou engravidar por tratamentos, não conseguiu e teria buscado adoções irregulares, inclusive oferecendo dinheiro para comprar um recém-nascido na Bahia.
  • Na casa da investigada, os policiais encontraram um quarto infantil rosa, com berço, roupas de criança e uma bebê reborn, sinais que reforçam, segundo a polícia, o comportamento obsessivo.

Como foi o assassinato de Renata

  • Renata, 38 anos, foi baleada quando chegava para trabalhar em uma farmácia no bairro Presidente Roosevelt, em 7/11/2020.
  • Câmeras registraram o atirador efetuando ao menos cinco disparos e fugindo após deixar uma sacola com objetos e uma carta com ofensas.
  • A vítima deixou uma filha, hoje adolescente.
  • À época, a polícia não descartou crime passional e ouviu pessoas próximas, incluindo o ex-marido.

Linha do tempo do caso

  • Nov/2020 – Assassinato de Renata em Uberlândia; investigação aberta.
  • 2020 – Cláudia é presa por sequestro de recém-nascida e falsidade ideológica.
  • Mar/2025 – Médica passa a responder em liberdade nos processos anteriores.
  • 5/11/2025Operação conjunta prende Cláudia em Itumbiara (GO) e dois suspeitos (pai e filho).

Próximos passos

  • A Polícia Civil apurará a participação dos dois homens apontados como executores e se houve recompensa financeira.
  • O inquérito avaliará a prorrogação das prisões temporárias ou a conversão em preventivas e o indiciamento dos envolvidos.

Nota de responsabilidade: A defesa dos investigados não foi localizada até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestação.