Bolsonaro é preso preventivamente em Brasília após suspeita de fuga, aponta decisão do STF

Ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão após violação da tornozeleira eletrônica e convocação de vigília por aliados.
Autorizada prisão domiciliar de Bolsonaro por 90 dias para tratamento de saúde
STF autoriza prisão domiciliar de Bolsonaro por 90 dias para tratamento de broncopneumonia (Foto: Divulgação)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), em sua residência, e levado à sede da Polícia Federal em Brasília. A medida, sem prazo determinado, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF apontar indícios de que Bolsonaro estaria planejando fugir. Ele deve participar de uma audiência de custódia neste domingo (23).

A decisão não tem relação direta com a condenação de 27 anos e 3 meses já imposta ao ex-presidente por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. Trata-se de uma prisão preventiva, aplicada para garantir a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal ou responder a descumprimentos de medidas cautelares — como ocorreu neste caso.


Violação da tornozeleira e convocação de vigília acendem alerta

Segundo Moraes, o Centro de Monitoração Integrada do DF comunicou ao STF que a tornozeleira eletrônica de Bolsonaro foi violada às 0h08 deste sábado. Além disso, o ministro citou um ato convocado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — apresentado como vigília pela saúde do ex-presidente, mas interpretado pelo STF como estratégia para gerar aglomeração e dificultar a fiscalização da PF.

Para Moraes, a convocação repete um modus operandi da organização criminosa atribuída a Bolsonaro nos processos em andamento. Ele afirma que a mobilização teria como objetivo criar confusão suficiente para viabilizar uma fuga, ampliada pela proximidade do condomínio de Bolsonaro com o Setor de Embaixadas Sul — a cerca de 13 km, distância percorrida em cerca de 15 minutos de carro.

Na decisão, o ministro lembrou ainda que Bolsonaro já havia tentado fugir para a Embaixada da Argentina durante investigações anteriores, além de citar parlamentares aliados — Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro — que deixaram o país para tentar escapar de medidas judiciais.


Detenção ocorreu sem resistência e PF reforça segurança

Bolsonaro foi preso por volta das 6h e levado à sede da PF às 6h35. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não estava em casa no momento da detenção. Após os procedimentos iniciais, ele foi encaminhado a uma Sala de Estado, reservada a autoridades, semelhante à usada pelo presidente Lula durante sua prisão entre 2018 e 2019.

Agentes do Instituto Médico-Legal (IML) foram até o local realizar o exame de corpo de delito, procedimento obrigatório para qualquer pessoa detida — e feito ali mesmo para evitar exposição pública.

Em nota, a Polícia Federal informou ter cumprido mandado de prisão preventiva expedido pelo STF. Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, também por determinação de Moraes, após descumprir medidas cautelares — entre elas, a utilização de redes sociais de aliados para disseminar mensagens contra o Supremo e incitar ataques às instituições.