Contran acaba com aula obrigatória em autoescolas e muda regras para tirar CNH

Medida visa flexibilizar formação de condutores, cria instrutor autônomo e reduz carga horária.
Contran acaba com obrigatoriedade de aulas em autoescolas e muda regras para tirar CNH
Contran aprova novas regras para tirar a CNH com fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas (Foto: Reprodução)

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) aprovou nesta segunda-feira (1º) uma resolução que altera completamente o processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil. A principal mudança é o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescolas, passo que até então era indispensável para iniciar as provas teórica e prática.

As novas regras passarão a valer após a publicação no Diário Oficial da União, prevista para os próximos dias. Segundo o governo federal, o objetivo é reduzir custos e burocracias — hoje apontados como as principais barreiras para milhões de brasileiros.

Dados do Ministério dos Transportes indicam que 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação no país. A pasta acredita que o novo modelo deve ampliar o número de condutores regularizados e diminuir riscos no trânsito.


Principais mudanças na formação de condutores

1 — Aulas teóricas sem carga horária mínima

A resolução do Contran extingue a carga horária obrigatória das aulas teóricas.
Agora, cada entidade poderá definir sua própria estrutura, desde que siga o conteúdo programático oficial.

As aulas poderão ser:

  • Presenciais;
  • Remotas ao vivo;
  • Gravadas em plataforma oficial do governo.

Poderão ministrar as aulas:

  • Autoescolas;
  • Entidades especializadas de ensino a distância (EaD);
  • Escolas públicas de trânsito;
  • Instituições do Sistema Nacional de Trânsito.

2 — Aulas práticas não são mais exclusivas das autoescolas

A grande mudança é a criação do instrutor autônomo, rompendo o monopólio das autoescolas.

Antes: 20 horas obrigatórias de aula prática.
Agora: apenas 2 horas mínimas.

O candidato também poderá usar seu próprio veículo nas aulas, desde que:

  • Esteja acompanhado de instrutor autorizado;
  • O carro cumpra requisitos de segurança do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

O mesmo veículo poderá ser usado na prova prática.


3 — Quem poderá atuar como instrutor autônomo?

Instrutores já cadastrados serão notificados pelo aplicativo da CNH e poderão migrar para o novo modelo.

Para novos instrutores, haverá curso de formação gratuito pelo Ministério dos Transportes.

Requisitos obrigatórios:

  • Ter 21 anos ou mais;
  • Ensino médio completo;
  • CNH válida há pelo menos 2 anos na categoria em que quiser instruir;
  • Zero infrações gravíssimas nos últimos 12 meses;
  • Autorização do Detran.

Instrutores não autorizados não poderão atuar.


4 — Prova teórica segue obrigatória

Sem mudanças de estrutura, a prova continua com:

  • Duração mínima de 1 hora;
  • Questões objetivas de múltipla escolha;
  • No mínimo 20 acertos para aprovação;
  • Tentativas ilimitadas.

5 — Prova prática também permanece

A avaliação seguirá regras semelhantes às atuais:

  • Trajeto pré-definido;
  • Avaliação por uma comissão com três examinadores;
  • Possibilidade de usar o próprio veículo;
  • Tentativas ilimitadas para aprovação;
  • Segunda tentativa sem taxa adicional.

6 — Fim do prazo de validade de 12 meses

Outra grande mudança é o fim do prazo de validade do processo de habilitação.
O processo permanecerá aberto por tempo indeterminado, encerrando-se apenas em casos específicos previstos na resolução.


7 — Facilitação para categorias C, D e E

Motoristas que desejam habilitações profissionais (caminhão, ônibus e carretas) terão procedimentos simplificados.
Serviços poderão ser realizados tanto em autoescolas quanto em outras entidades credenciadas, ampliando a oferta e reduzindo custos.


Impacto nacional

O governo espera que as mudanças:

  • Reduzam o custo da CNH;
  • Diminuam a evasão de candidatos por questões financeiras;
  • Incentivem a regularização de quem dirige sem habilitação;
  • Modernizem o processo, ampliando a oferta de ensino remoto.

Com a publicação oficial da resolução, o país passa a adotar o maior redesenho da formação de condutores das últimas décadas, alterando profundamente a relação de milhões de brasileiros com o trânsito.