TJMA mantém ação penal contra prefeito de Santa Inês por supostos desvios na saúde

TJMA mantém ação penal contra prefeito de Santa Inês por supostos desvios na saúde
Felipe dos Pneus e outros 13 acusados seguem investigados por fraudes em licitações (Foto: Divulgação)

A Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão decidiu manter aberta a ação penal que investiga o prefeito de Santa Inês, Luís Felipe Oliveira de Carvalho, conhecido como Felipe dos Pneus, e mais 13 acusados por suspeita de fraudes em licitações e desvios de recursos da saúde. Os contratos sob investigação somam mais de R$ 74 milhões e, segundo o Ministério Público, indicam a existência de uma estrutura organizada para manipular compras públicas e lavar dinheiro.

Decisão mantém denúncia e permite avanço do processo

A decisão, tomada no fim de novembro, rejeitou recursos apresentados pelos réus, que buscavam anular o recebimento da denúncia formulada pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ). Para os desembargadores, a acusação descreve com clareza as condutas atribuídas a cada investigado e reúne elementos suficientes para dar continuidade ao processo.

Como o prefeito possui foro por prerrogativa de função, o caso permanece em tramitação no TJMA.


Estrutura do suposto esquema

A denúncia aponta que, desde o início da gestão em 2021, Felipe dos Pneus teria assumido o comando de um núcleo central responsável por direcionar licitações da saúde municipal. Empresas supostamente favorecidas venceriam contratos superfaturados e, em troca, repassariam parte dos valores ao grupo.

O Ministério Público divide os investigados em três frentes:

  • Núcleo central: responsável pela articulação política e coordenação das fraudes, incluindo nomes como Antônio José de Magalhães Neto e Samuel Martins Costa Filho.
  • Núcleo operacional: composto por servidores ligados à prefeitura, entre eles Talihina Rodrigues de Carvalho, ex-secretária e irmã do prefeito, responsável por viabilizar os processos internos e o desvio de verbas.
  • Núcleo da lavagem: formado por pessoas, algumas do círculo familiar do prefeito, responsáveis por mascarar a origem dos valores desviados.

Pedidos do Ministério Público

Na ação, a PGJ solicita:

  • condenação dos 14 acusados;
  • perda do mandato de Felipe dos Pneus;
  • confisco de bens bloqueados durante as investigações;
  • e reparação de mais de R$ 30 milhões, valor que engloba prejuízos materiais e danos morais coletivos causados ao sistema de saúde do município.

Com o processo avançando, as defesas poderão apresentar provas, testemunhas e perícias. Os advogados afirmam confiar na absolvição dos réus na fase de instrução.


Base das investigações e operações envolvidas

As investigações se apoiam em:

  • relatórios do Coaf;
  • análises do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro do MP;
  • e documentos apreendidos nas operações Tríade (Gaeco) e Free Rider (Polícia Federal).

As operações recolheram celulares, documentos e registros financeiros considerados essenciais para entender o funcionamento da rede de fraudes. Entre os materiais, há conversas que sugerem interferência em contratações emergenciais — incluindo fornecimento de carros-pipa durante crise hídrica na cidade.

Felipe dos Pneus chegou a ser afastado temporariamente do cargo, mas retornou e foi reeleito em 2024. Até o momento, o prefeito não se manifestou sobre o caso.