O Teatro Arthur Azevedo lança o Projeto Vivendo o Teatro, uma nova frente formativa dedicada a fortalecer a arte cênica no Maranhão por meio de oficinas, debates e experiências práticas. A primeira atividade da programação acontece de 15 a 18 de dezembro, das 14h às 16h, com a oficina “Ser, Querer Ser Ator”, ministrada pelo renomado diretor Gerald Thomas, referência mundial no teatro contemporâneo.
Mais que um ciclo de capacitação, o Vivendo o Teatro propõe um mergulho amplo nos fundamentos da criação teatral — suas técnicas, linguagens, processos e possibilidades expressivas. A iniciativa busca conectar tradição e contemporaneidade ao reunir nomes de destaque no cenário maranhense, nacional e internacional.
A imersão com Gerald Thomas
A escolha de Gerald Thomas para abrir o projeto reforça o caráter inovador da proposta. Com mais de 53 anos de atuação, 120 produções realizadas em 15 países e mais de quatro décadas dedicadas ao teatro brasileiro, o diretor é reconhecido por uma estética singular e pela força crítica de sua obra. Já trabalhou com grandes artistas como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Gal Costa e Marco Nanini, consolidando seu papel como um dos mais influentes criadores da cena teatral mundial.
Na oficina “Ser, Querer Ser Ator”, Thomas parte de uma provocação fundamental: não existe ator sem desejo. É esse impulso que, segundo ele, move o intérprete a observar o mundo e a traduzi-lo em presença cênica.
O ator como observador e revolucionário
Ao longo dos encontros, os participantes são estimulados a refletir sobre:
- a formação artística como estudo da condição humana;
- o comportamento como matéria-prima da interpretação;
- a construção de uma estética própria;
- os desafios éticos e sociais do ofício;
- e a liberdade de superar métodos rígidos, reconhecendo que não há “unicidade” na arte de atuar.
Para Thomas, o ator é mais do que um executor de técnicas: é um observador atento da humanidade, alguém que capta ecos, contradições, sons e movimentos sociais. Sua função, portanto, transcende a representação de estereótipos — o ator é, antes de tudo, um agente de transformação.
Pensamento cênico e referências que moldaram o teatro
Com um discurso que atravessa filosofia, política, história e estética, Thomas incentiva os participantes a compreender o palco como espaço de risco, liberdade e invenção. Sua abordagem dialoga com mestres que redefiniram a cena contemporânea, como Beckett, Brecht, Grotowski, Kazuo Ohno, Peter Brook, Victor Garcia, Julian Beck e Bob Wilson.
Uma ação estratégica para a formação teatral no Maranhão
O Projeto Vivendo o Teatro é uma realização do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e do Teatro Arthur Azevedo, e marca um novo momento para a formação artística no estado. A iniciativa pretende consolidar uma agenda permanente dedicada ao aperfeiçoamento técnico e conceitual de artistas locais, fortalecendo a criação cênica e ampliando o diálogo com referências contemporâneas.






