Demanda por creches cresce e mais da metade das cidades não consegue atender famílias

Levantamento aponta aumento de 30% nas solicitações por vagas em 2025 e destaca desafios na organização das listas de espera.
Demanda por creches cresce e mais da metade das cidades não consegue atender famílias
Demanda por vagas em creches cresceu 30% em 2025 (Foto: Elza Fiúza)

A procura por vagas em creches voltou a crescer no Brasil e segue como um dos principais desafios da educação infantil. Pesquisa do Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Gaepe-Brasil, mostra que 52,1% das redes municipais — o equivalente a 2.904 municípios — não conseguiram atender toda a demanda por creches em 2025. No ano anterior, esse percentual era de 44%.

Os dados constam no estudo Retrato da Educação Infantil 2025, que ouviu 100% dos municípios brasileiros e o Distrito Federal. Entre as cidades que conseguem mensurar o tamanho das filas, foram registradas 826,3 mil solicitações, um crescimento de 30,6% em relação ao levantamento anterior.

O aumento é ainda mais expressivo entre bebês de 0 a 11 meses, faixa etária em que os pedidos por vaga quase dobraram, saltando de 123 mil para 238 mil inscrições. Segundo o MEC, esse avanço reflete maior conscientização das famílias sobre o direito à educação desde a primeira infância, além de melhorias nos mecanismos de identificação da demanda.

O estudo também aponta que 77,8% dos municípios realizam ações de comunicação para informar a população sobre o direito à creche, como campanhas em escolas, visitas domiciliares e uso das redes sociais. Além disso, houve avanço na articulação entre diferentes áreas do poder público: 64,3% das cidades identificam crianças de 0 a 3 anos que não estão matriculadas nem em listas de espera, sendo que, em mais de 80% dos casos, o trabalho é feito em conjunto com as áreas de saúde e assistência social.

Na pré-escola, etapa obrigatória para crianças de 4 e 5 anos, a cobertura nacional permanece elevada. O levantamento indica que o país alcançou 94,6% de atendimento, com 83,2% das redes adotando estratégias para localizar crianças fora da escola e 91,4% realizando ações de busca ativa em parceria com a rede de proteção social.

Organização das filas ainda é desafio

Outro ponto abordado pela pesquisa é a organização das listas de espera. Quase metade dos municípios que possuem fila (48,4%) já adotam protocolos formais e sistemas integrados de gestão. Apesar do avanço, o tema ainda preocupa. Um levantamento recente do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que 35% dos municípios com filas em creches não utilizam critérios de priorização para a distribuição das vagas.

Para a doutora em educação e professora da Universidade de Brasília (UnB), Catarina de Almeida Santos, o ideal é que toda criança que demanda uma vaga seja atendida. Enquanto isso não é possível, ela destaca a importância da transparência nos critérios adotados pelos municípios.

“Se não há critérios claros, o atendimento pode ocorrer por indicação política ou relações pessoais. É fundamental informar quantas vagas existem, quais são os critérios de acesso e, ao mesmo tempo, pressionar para que o sistema seja ampliado e não dependa de processos seletivos”, avalia.

Com informações do Brasil 61