Buscas por irmãos desaparecidos entram no 12º dia com reforço de outros estados

Mergulhos, cães farejadores e tecnologia ampliam varredura na região do povoado São Sebastião dos Pretos.
Buscas por irmãos desaparecidos entram no 12º dia com reforço de outros estados
Buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal entram no 12º dia com reforço de bombeiros do Pará e Ceará (Foto: Reprodução)

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde o dia 4 de janeiro na zona rural de Bacabal, chegaram ao 12º dia nesta quinta-feira (15) com o reforço de equipes de outros estados e a intensificação das operações em áreas de mata fechada e em ambientes aquáticos.

Desde a última sexta-feira (9), o 24º Batalhão de Infantaria de Selva atua em áreas de difícil acesso, em ação integrada com forças de segurança, Defesa Civil e voluntários. Militares especializados em rastreamento em ambiente de selva utilizam a técnica do “caracol”, método que promove a saturação sistemática do terreno para ampliar a eficiência das buscas. As operações contam ainda com georreferenciamento, drones — inclusive com capacidade termal — e apoio aéreo do Centro Tático Aéreo.

Na quarta-feira (14), o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, esteve na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos para acompanhar os trabalhos da força-tarefa, que segue mobilizada dia e noite. O gestor acompanhou a atuação de bombeiros especializados em buscas subaquáticas no Lago Limpo, localizado a cerca de três quilômetros do povoado, com acesso por mata fechada.

Na base montada nas proximidades do povoado Santa Rosa, o prefeito recepcionou uma equipe do Corpo de Bombeiros do Estado do Pará, formada por sete militares e dois cães farejadores, que chegaram para reforçar a operação. Durante a visita, Roberto Costa destacou a importância da cooperação entre estados.
“Esse apoio, inclusive do Pará, através do governador Helder Barbalho, parceiro do governador Brandão, é fundamental para unificar forças e aumentar as chances de localizar as crianças”, afirmou.

O sargento Mesquita, do Corpo de Bombeiros do Pará, ressaltou a especialização da equipe. “Somos preparados para buscas em áreas de mata e os cães estão aqui para nos dar esse suporte. Viemos para somar e ajudar a encontrar essas crianças”, disse.

Já o major Pablo, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão no acampamento, explicou a estratégia adotada. “Dividimos a área em 45 quadrantes e realizamos uma varredura minuciosa. Já avançamos em mais da metade desses setores e as buscas continuam.”

Além do reforço do Pará, o prefeito confirmou a chegada de mais cinco bombeiros e quatro cães farejadores do Corpo de Bombeiros do Estado do Ceará, ampliando ainda mais a capacidade operacional da força-tarefa.

Nova fase com mergulhos no Lago Limpo

Nesta quinta-feira (15), os bombeiros iniciaram uma nova etapa das buscas com operações de mergulho no Lago Limpo, área por onde as crianças teriam passado enquanto estavam perdidas na mata. A informação foi repassada por Anderson Kauan, de 8 anos, que desapareceu junto com os irmãos, mas foi encontrado no dia 7 de janeiro.

Segundo o tenente-coronel Cleyton Cruz, comandante da operação, a área começou a ser vistoriada ainda na quarta-feira (14), com varredura superficial na mata e no lago. “Hoje iniciamos os mergulhos propriamente ditos. A expectativa é que o trabalho no lago dure cerca de três dias, para que nenhum ponto deixe de ser verificado”, explicou.

Quatro mergulhadores atuam simultaneamente para ampliar o alcance da varredura. “O objetivo é eliminar qualquer dúvida sobre a possibilidade de afogamento e identificar qualquer vestígio que possa ajudar nas investigações”, afirmou o coronel Hélio, do Corpo de Bombeiros do Maranhão.

Tecnologia, voluntários e investigação paralela

As equipes utilizam um aplicativo de geolocalização que registra, em tempo real, todas as áreas já percorridas. Cada agente carrega um celular que marca automaticamente o trajeto, garantindo controle preciso da área vasculhada. Cerca de 500 pessoas participam das buscas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Exército Brasileiro, Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, Guarda Municipal e voluntários.

Paralelamente às buscas em campo, a Polícia Civil do Maranhão mantém investigação ativa. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes atua no município desde domingo (11), com equipe multidisciplinar formada por psicólogo e assistente social, que já ouviu familiares e a criança que sobreviveu ao desaparecimento.

Apesar do avanço das operações e do reforço interestadual, até o momento não foram encontrados vestígios concretos de Ágatha e Allan. Moradores da comunidade acompanham com expectativa. “A gente não perdeu a fé de que vai encontrar essas crianças vivas”, disse um morador do povoado.