Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago

Indicação reforça relato do primo resgatado e orienta novas frentes da força-tarefa, que chega ao 13º dia de buscas.
Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago
Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago (Foto: Divulgação)

As buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram desde o dia 4 de janeiro, em Bacabal, ganharam um novo e importante elemento nesta quinta-feira (15). Cães farejadores que integram a força-tarefa confirmaram que as crianças estiveram em uma casa abandonada próxima a uma região de lago, informação validada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA).

De acordo com a SSP, os cães identificaram a passagem de Ágatha, Allan e do primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos — encontrado no último dia 7 de janeiro — por uma residência conhecida pelos policiais como “casa caída”. O imóvel fica no povoado São Raimundo, zona rural do município, e já havia sido citado pelo menino em seu depoimento às autoridades.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, Anderson relatou que, em uma das noites em que estavam desaparecidos, chegou ao local com os primos, deixou Ágatha e Allan na casa e saiu em busca de ajuda. Pouco tempo depois, ele foi localizado pelas equipes de resgate.

“Tivemos a confirmação pelos cães de que naquele local as três crianças realmente passaram. Ele descreveu como chegou à casa em uma noite com as duas crianças, e o reconhecimento foi feito por fotografias e por objetos encontrados no local, como cadeiras, colchão e botas. Os cães também identificaram por onde cada um entrou na casa, exatamente como o menino relatou”, afirmou o secretário.

Lago e mata entram no foco das operações

As buscas pelos irmãos chegam ao 13º dia nesta sexta-feira, com mais de 500 pessoas mobilizadas entre agentes de segurança e voluntários. A área de lago próxima à casa abandonada começou a ser vistoriada ainda nessa quarta-feira (14), com varredura na mata e inspeção superficial da água. Nesta quinta, mergulhadores intensificaram os trabalhos no local.

Lago, mata fechada e relato-chave: sete dias de buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal
As buscas pelos irmãos Agatha Isabela, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chagam ao13º dia (Foto: Divulgação)

O lago tem cerca de 300 metros quadrados e profundidade média de 1,20 metro. A expectativa do Corpo de Bombeiros é que, em até três dias, toda a área seja completamente mapeada. “Vamos ampliar as buscas nesta região de mata, fazendas, rio e também com incursões dos cães farejadores. Só vamos nos retirar dessa área quando localizarmos as duas crianças”, reforçou Maurício Martins.

O comandante da operação, o tenente-coronel Cleyton Cruz, explicou que as equipes passaram a atuar também em áreas alagadas. “Na quarta-feira fizemos a varredura superficial e, hoje, iniciamos os mergulhos propriamente ditos”, disse.

Além do lago, as equipes seguem vasculhando trilhas, caminhos e veredas próximas ao povoado, avançando agora para áreas de mata mais fechada. Até o momento, não foram encontrados vestígios diretos de Ágatha e Allan.

Reforço interestadual, tecnologia e riscos no terreno

A operação recebeu reforço interestadual na quarta-feira (14), com a chegada de sete bombeiros do Pará, acompanhados de dois cães farejadores, além de cinco bombeiros do Ceará, que trouxeram mais quatro cães para auxiliar nas buscas.

Para monitorar as rotas percorridas, bombeiros e voluntários utilizam um aplicativo de geolocalização, que registra os trajetos das equipes e permite localizar rapidamente qualquer integrante que se afaste do grupo.

Segundo os bombeiros, caso as crianças não sejam encontradas na área atualmente delimitada, um relatório técnico será encaminhado às autoridades para avaliar a ampliação das buscas. O terreno apresenta riscos adicionais, como armadilhas instaladas por caçadores — prática comum na região —, o que exige ainda mais cautela das equipes.

Investigação segue em paralelo

Cerca de 500 pessoas participam da força-tarefa, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários.

Paralelamente às buscas em campo, a Polícia Civil do Maranhão mantém as investigações para reunir informações que possam ajudar a esclarecer o desaparecimento. Desde domingo (11), o Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) atua em Bacabal com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo e assistente social.

Os profissionais realizam perícias psicológicas e sociais e fazem a escuta especializada de familiares. O menino de 8 anos que estava com Ágatha e Allan no dia do desaparecimento já foi ouvido pelo instituto, e seu depoimento segue sendo considerado peça-chave para orientar as buscas.