Buscas por irmãos entram no 14º dia com reforço da Marinha e uso de sonar

Equipamento de varredura subaquática, cães farejadores e equipes interestaduais ampliam operação para localizar Ágatha e Allan.
Desaparecimento de irmãos completa 22 dias e força mudança na estratégia de buscas
As buscas pelos irmãos Agatha Isabela, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chagam ao 22º dia (Foto: Divulgação)

As buscas por Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chegaram ao 14º dia neste sábado (17) com um reforço decisivo: a atuação da Marinha do Brasil na região de Bacabal, no Maranhão. O governador Carlos Brandão anunciou o envio de equipes e do equipamento side scan sonar, tecnologia especializada na localização subaquática em águas turvas ou profundas por meio de ondas sonoras.

Além do sonar, a Marinha reforçou a operação com mais 11 militares, uma voadeira e uma motoaquática. As ações também contam com apoio ampliado da Polícia Rodoviária Federal, que intensificou o trabalho em rodovias e áreas de acesso da região para tentar localizar as crianças, desaparecidas desde o dia 4 de janeiro.

Indícios confirmados por cães farejadores

Um novo elemento passou a orientar as buscas na quinta-feira (15), após cães farejadores confirmarem que as crianças estiveram em uma casa abandonada próxima a uma área de lago. A informação foi validada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA).

Segundo a SSP, os cães identificaram a passagem de Ágatha, Allan e do primo Anderson Kauã, de 8 anos, localizado no último dia 7 de janeiro. O grupo teria passado por uma residência conhecida pelos policiais como “casa caída”, situada no povoado São Raimundo, zona rural de Bacabal — local já citado pelo menino em depoimento.

Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago
Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago (Foto: Divulgação)

O secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, afirmou que o relato do garoto foi confirmado pela perícia canina. “Os cães comprovaram que as três crianças passaram pelo local. Ele descreveu a chegada à casa durante a noite, deixou os primos ali e saiu para buscar ajuda. O reconhecimento foi feito por fotos e por objetos encontrados, como cadeiras, colchão e botas, exatamente como ele relatou”, explicou.

Lago e mata no centro da operação

Com a confirmação do ponto de passagem, as equipes concentraram esforços na região do lago e da mata ao redor da casa abandonada. A área começou a ser vistoriada na quarta-feira (14), com varredura terrestre e inspeção superficial da água. Na quinta-feira, mergulhadores intensificaram os trabalhos.

O lago possui cerca de 300 metros quadrados e profundidade média de 1,20 metro. A expectativa do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão é mapear completamente o local em até três dias. “Vamos ampliar as buscas em áreas de mata, fazendas e rios, além das incursões com cães farejadores. Só vamos deixar essa região quando localizarmos as duas crianças”, reforçou Maurício Martins.

Buscas por crianças desaparecidas entram em nova etapa com mergulhos no lago
Mergulhadores estão atuando no Lago Limpo (Foto: Reprodução)

O comandante da operação, o tenente-coronel Cleyton Cruz, destacou que as equipes passaram a atuar também em áreas alagadas. “Na quarta-feira realizamos a varredura superficial e, agora, iniciamos os mergulhos propriamente ditos”, explicou.

Reforço interestadual e tecnologia

A força-tarefa ganhou reforço interestadual com a chegada de sete bombeiros do Pará, acompanhados de dois cães farejadores, e de cinco bombeiros do Ceará, que trouxeram mais quatro cães. Para monitorar as áreas já percorridas, as equipes utilizam um aplicativo de geolocalização que registra os trajetos e permite localizar rapidamente qualquer integrante que se afaste do grupo.

O terreno apresenta riscos adicionais, como armadilhas instaladas por caçadores, o que exige cautela redobrada. Caso as crianças não sejam encontradas na área delimitada, um relatório técnico será encaminhado para avaliar a ampliação das buscas.

Investigação segue paralelamente

Cerca de 500 pessoas participam da operação, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários.

Paralelamente às buscas em campo, a Polícia Civil do Maranhão mantém a investigação para esclarecer o desaparecimento. Desde domingo (11), o Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) atua em Bacabal com equipe multidisciplinar, realizando escuta especializada e perícias psicológicas e sociais. O depoimento do menino de 8 anos segue sendo considerado peça-chave para orientar as buscas.