Menino Anderson Kauã resgatado em Bacabal recebe alta após 13 dias internado

Buscas por primos entram no 17º dia e se concentram no Rio Mearim e em área de mata com acesso restrito.
Menino resgatado em Bacabal recebe alta após 13 dias internado
Anderson Kauã recebeu alta após 13 dias internado (Foto: Divulgação)

O menino Anderson Kauã, de 8 anos, resgatado no último dia 7 de janeiro após desaparecer em uma área de mata na zona rural de Bacabal, recebeu alta hospitalar na manhã desta terça-feira (20), após 13 dias internado. Ele havia desaparecido no dia 4 de janeiro junto com os primos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que seguem desaparecidos. As buscas chegaram ao 17º dia.

Após se recuperar, Kauã passou a auxiliar as forças de segurança, percorrendo alguns locais para ajudar na reconstrução do trajeto feito pelas crianças e na identificação de possíveis pistas. O acompanhamento da criança ocorre com o suporte de psicólogos e do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA). A participação foi autorizada pela Justiça, e todas as informações relacionadas aos depoimentos e imagens seguem sob sigilo.

Lago, mata fechada e relato-chave: sete dias de buscas por irmãos desaparecidos em Bacabal
As buscas pelos irmãos Agatha Isabela, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chagam ao 14º dia (Foto: Divulgação)

Acesso restrito e nova fase das buscas

Nesta terça-feira (20), as autoridades restringiram o acesso de pessoas que não integram a força-tarefa às áreas próximas ao rio e à base de apoio das equipes. A entrada da imprensa também foi limitada durante a manhã, em razão da nova fase da operação.

As buscas estão concentradas em um trecho onde cães farejadores identificaram indícios da presença das crianças. Militares da Marinha do Brasil utilizam o equipamento side scan sonar para a varredura de cerca de 1 quilômetro do Rio Mearim, enquanto equipes do Exército Brasileiro e da Força Estadual de Segurança mantêm operações terrestres na mata.

Com o avanço das buscas, a base de apoio montada na comunidade começou a ser desmontada, já que a área inicial foi completamente vasculhada.


Relato do menino ajuda a traçar percurso

Segundo o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Anderson relatou que decidiu entrar na mata por um caminho contrário, tentando dar a volta para chegar ao local sem ser visto. Durante esse trajeto, as crianças teriam se perdido na vegetação.

Ainda de acordo com o relato de Kauã, não havia nenhum adulto acompanhando o grupo durante o percurso e, ao longo do caminho, não encontraram frutas para se alimentar. O menino contou também que passaram por uma casa abandonada, conhecida como “casa caída”.

Essa versão foi reforçada pelo trabalho dos cães farejadores, que identificaram o cheiro das crianças no local, confirmando a passagem pela área. As informações seguem em análise pelas equipes de investigação e resgate.


O que é a “casa caída”

A chamada casa caída é um abrigo simples, construído com barro, troncos de madeira e cobertura de palha, localizado no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, às margens do Rio Mearim. O local pode servir como ponto de apoio para pescadores.

Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago
Cães farejadores confirmam passagem de crianças por casa abandonada perto de lago (Foto: Divulgação)

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, a estrutura fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, onde as crianças desapareceram. Considerando obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância pode chegar a aproximadamente 12 km. No interior do abrigo foram encontrados um colchão, botas e um banco.


Buscas seguem sem previsão de encerramento

As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael enfrentaram dificuldades adicionais nos últimos dias devido às chuvas na região, mas seguem sendo tratadas como prioridade absoluta pelas autoridades. As equipes afirmam que nenhuma hipótese é descartada e que os trabalhos continuarão enquanto houver possibilidades de localização das crianças.

Familiares acompanham as operações com apreensão, enquanto a população local segue mobilizada e na expectativa por notícias positivas.