O menino Anderson Kauã, de 8 anos, resgatado no último dia 7 de janeiro após desaparecer em uma área de mata na zona rural de Bacabal, recebeu alta hospitalar na manhã desta terça-feira (20), após 13 dias internado. Ele havia desaparecido no dia 4 de janeiro junto com os primos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que seguem desaparecidos. As buscas chegaram ao 17º dia.
Após se recuperar, Kauã passou a auxiliar as forças de segurança, percorrendo alguns locais para ajudar na reconstrução do trajeto feito pelas crianças e na identificação de possíveis pistas. O acompanhamento da criança ocorre com o suporte de psicólogos e do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA). A participação foi autorizada pela Justiça, e todas as informações relacionadas aos depoimentos e imagens seguem sob sigilo.

Acesso restrito e nova fase das buscas
Nesta terça-feira (20), as autoridades restringiram o acesso de pessoas que não integram a força-tarefa às áreas próximas ao rio e à base de apoio das equipes. A entrada da imprensa também foi limitada durante a manhã, em razão da nova fase da operação.
As buscas estão concentradas em um trecho onde cães farejadores identificaram indícios da presença das crianças. Militares da Marinha do Brasil utilizam o equipamento side scan sonar para a varredura de cerca de 1 quilômetro do Rio Mearim, enquanto equipes do Exército Brasileiro e da Força Estadual de Segurança mantêm operações terrestres na mata.
Com o avanço das buscas, a base de apoio montada na comunidade começou a ser desmontada, já que a área inicial foi completamente vasculhada.
Relato do menino ajuda a traçar percurso
Segundo o delegado-adjunto de Apoio Operacional, Éderson Martins, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Anderson relatou que decidiu entrar na mata por um caminho contrário, tentando dar a volta para chegar ao local sem ser visto. Durante esse trajeto, as crianças teriam se perdido na vegetação.
Ainda de acordo com o relato de Kauã, não havia nenhum adulto acompanhando o grupo durante o percurso e, ao longo do caminho, não encontraram frutas para se alimentar. O menino contou também que passaram por uma casa abandonada, conhecida como “casa caída”.
Essa versão foi reforçada pelo trabalho dos cães farejadores, que identificaram o cheiro das crianças no local, confirmando a passagem pela área. As informações seguem em análise pelas equipes de investigação e resgate.
O que é a “casa caída”
A chamada casa caída é um abrigo simples, construído com barro, troncos de madeira e cobertura de palha, localizado no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, às margens do Rio Mearim. O local pode servir como ponto de apoio para pescadores.

De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, a estrutura fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, onde as crianças desapareceram. Considerando obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância pode chegar a aproximadamente 12 km. No interior do abrigo foram encontrados um colchão, botas e um banco.
Buscas seguem sem previsão de encerramento
As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael enfrentaram dificuldades adicionais nos últimos dias devido às chuvas na região, mas seguem sendo tratadas como prioridade absoluta pelas autoridades. As equipes afirmam que nenhuma hipótese é descartada e que os trabalhos continuarão enquanto houver possibilidades de localização das crianças.
Familiares acompanham as operações com apreensão, enquanto a população local segue mobilizada e na expectativa por notícias positivas.






