O primeiro dia da greve dos rodoviários em São Luís foi marcado por incertezas, paralisação quase total do transporte coletivo e longas filas nas paradas de ônibus espalhadas pela capital. A tentativa de encerrar o movimento por meio de uma audiência de conciliação realizada nesta sexta-feira (30), no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), terminou sem acordo entre trabalhadores e empresários.
Com a paralisação iniciada à meia-noite, o TRT-MA concedeu liminar determinando que, de forma imediata, ao menos 80% da frota volte a operar enquanto as negociações seguem em andamento. Apesar da decisão judicial, grande parte da cidade permaneceu sem ônibus ao longo do dia, agravando os transtornos para a população. A situação se estenderá neste sábado, 31, segundo dia de greve, quando, mesmo com a determinação judicial, os coletivos permenecerão nas garagens.
A audiência foi conduzida pelo corregedor do TRT-MA, desembargador Gerson Oliveira Costa Filho, e reuniu representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (STTREMA), além de órgãos públicos como a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), a Secretaria Municipal de Governo (SEMGOV), representantes do Governo do Estado e da Prefeitura de São Luís.
O principal impasse envolve a Convenção Coletiva de Trabalho de 2026. Os rodoviários alegam que as propostas apresentadas pelas empresas não atendem às reivindicações salariais e de benefícios da categoria. Já o SET sustenta que qualquer reajuste está condicionado a definições do poder público sobre os custos do sistema e à ampliação de subsídios ao transporte coletivo.
Durante a audiência, o presidente do STTREMA, Marcelo Brito, apresentou uma nova contraproposta prevendo reajuste salarial de 12%. Os empresários informaram que irão analisar a viabilidade do percentual. Sem avanço nas negociações, uma nova rodada de conciliação foi marcada para terça-feira (3), às 9h, novamente na sede do TRT-MA.
Enquanto o impasse persiste, os reflexos da greve seguem sendo sentidos pela população: paradas lotadas, atrasos para o trabalho e escolas, além do aumento no uso de carros particulares e veículos por aplicativo, o que contribuiu para um trânsito ainda mais congestionado em diversas regiões da capital maranhense.






