O chamado golpe do falso advogado tem avançado em diversas regiões do país e acende um sinal de alerta, especialmente para pessoas que aguardam a liberação de valores judiciais. Na fraude, criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios de advocacia e entram em contato por telefone, aplicativos de mensagens ou e-mail, informando sobre supostas indenizações, revisões de benefícios ou pagamento de precatórios.
Para dar aparência de legitimidade à abordagem, os golpistas utilizam dados reais de processos judiciais, além de informações verdadeiras das vítimas. A liberação dos valores é condicionada ao pagamento antecipado de taxas, custas processuais ou honorários, geralmente solicitados por meio de Pix ou transferências imediatas. Após o pagamento, o contato é interrompido e o prejuízo financeiro se concretiza.
Estimativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apontam que as perdas causadas por esse tipo de fraude já ultrapassam R$ 2,8 bilhões nos últimos três anos.
Uso de tecnologia aumenta sofisticação do golpe
Nos últimos anos, o esquema passou a incorporar tecnologias de inteligência artificial, ampliando o nível de sofisticação da fraude. As quadrilhas utilizam informações públicas de processos judiciais para simular identidades profissionais, reproduzir linguagem jurídica com alto grau de precisão, falsificar documentos e logotipos, além de clonar números de telefone e perfis digitais de advogados ou escritórios reais.
Segundo Lívia Silva, gerente de Prevenção a Fraudes do Banco Mercantil, instituição voltada principalmente ao público acima dos 50 anos, houve aumento significativo nos relatos relacionados a esse tipo de crime.
“Nos últimos meses, cresceram os casos de clientes que procuram o banco após sofrerem tentativas do golpe do falso advogado, muitas vezes já com prejuízo financeiro. Por isso, reforçamos que a principal defesa contra esse tipo de esquema é a informação”, explica.
Pressão psicológica e falsas urgências
Um dos principais sinais de alerta é o senso de urgência imposto pelos golpistas. As vítimas são induzidas a acreditar que o pagamento precisa ser feito no mesmo dia para não perder o valor, o que dificulta a verificação das informações.
“Processos judiciais não funcionam dessa forma. Valores não são liberados por Pix, boleto ou transferência direta ao beneficiário. Sempre existem trâmites formais, que levam tempo, e nenhum advogado ou instituição financeira solicita senhas, códigos ou pagamentos antecipados por mensagens”, reforça Lívia Silva.
Orientações para evitar prejuízos
O Banco Mercantil orienta que qualquer contato inesperado envolvendo processos judiciais seja confirmado diretamente com o advogado de confiança, utilizando canais já conhecidos. A recomendação é nunca retornar ligações ou mensagens pelos números informados em contatos suspeitos, não clicar em links, não realizar pagamentos e interromper imediatamente a conversa diante de qualquer indício de fraude.
A orientação das autoridades é registrar ocorrência policial sempre que houver tentativa ou confirmação do golpe, contribuindo para o rastreamento das quadrilhas e a prevenção de novos casos.
Com informações da Ascom Banco Mercantil






