Presidente do Moto Club renuncia após crise interna e ameaças de morte

Artur Cabral deixa comando do clube alegando pressão política, dificuldades financeiras e riscos à segurança familiar.
Presidente do Moto Club renuncia após crise interna e ameaças de morte
Artur Cabral renunciou ao cargo após relatar ameaças e crise interna (Foto: Reprodução)

O presidente do Moto Club, José Artur Lima Cabral Marques, anunciou nesta sexta-feira (27) sua renúncia ao comando do clube rubro-negro após pouco mais de três meses à frente da gestão. Em comunicado oficial encaminhado ao Conselho Deliberativo e à torcida, o dirigente afirmou que a decisão foi tomada diante de um ambiente interno considerado insustentável, marcado por conflitos políticos, dificuldades financeiras e ameaças direcionadas a ele e seus familiares.

Artur Cabral havia assumido a presidência em novembro de 2025, após processo de aclamação em que sua chapa foi a única inscrita. Segundo o ex-dirigente, o cenário administrativo se deteriorou nas últimas semanas, com críticas constantes, ataques pessoais e interferências internas que, segundo ele, extrapolaram os limites institucionais.

Na carta de renúncia, Cabral relatou o recebimento de mensagens e ligações anônimas com ameaças de agressão física e morte, fator que pesou decisivamente para sua saída. Ele também acusou integrantes do Conselho Deliberativo de tentar assumir atribuições executivas que seriam exclusivas da diretoria.

Além das tensões políticas, o ex-presidente destacou a grave situação financeira encontrada no clube. De acordo com levantamento apresentado pela gestão, o Moto Club acumula mais de R$ 10 milhões em passivos trabalhistas, além de aproximadamente R$ 2 milhões em dívidas tributárias e civis. O relatório também apontou cerca de R$ 200 mil em taxas pendentes junto à Federação Maranhense de Futebol (FMF), acumuladas desde 2021.

Apesar do curto período no cargo, Artur Cabral afirmou ter deixado avanços administrativos, como a garantia de participação do clube na Série D do Campeonato Brasileiro de 2026 e 2027, resultado da posição no ranking nacional de clubes. Ele também citou acordos firmados para fortalecimento das categorias de base, incluindo parcerias com o Athletico Paranaense, nas divisões iniciais, e com a Prefeitura de Rosário para o desenvolvimento do Sub-20.

Segundo o ex-dirigente, a gestão também iniciou medidas de contenção de gastos, com controle da folha salarial e estratégias voltadas ao aumento de receitas operacionais, especialmente por meio da bilheteria.

O vice-presidente Vitor Sardinha já havia oficializado sua saída na noite de quinta-feira (26). Em comunicado, ele afirmou que divergências estratégicas e administrativas motivaram sua decisão, apontando incompatibilidades quanto ao modelo de gestão e aos processos internos de tomada de decisão. Sardinha seguirá atuando apenas como membro do Conselho Deliberativo.

Com a vacância simultânea dos cargos executivos, o presidente do Conselho Deliberativo, Luís Carlos Matos Almeida, assume interinamente a presidência do Moto Club. Caberá a ele convocar uma assembleia extraordinária para definir novas eleições. Caso não haja candidatos, o estatuto prevê a formação de uma Junta Governativa para administrar o clube até a escolha de uma nova diretoria.