O caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ganhou novos desdobramentos após revelações publicadas pelos jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, do jornal O Globo. A reportagem aponta que a relação entre os dois teria incluído encontros em propriedades frequentadas pelo empresário, além de mensagens encontradas no celular do banqueiro no momento de sua prisão.
De acordo com a coluna de Lauro Jardim, Moraes teria frequentado não apenas a mansão de Vorcaro em Brasília, mas também uma luxuosa propriedade alugada pelo banqueiro em Trancoso, na Bahia. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 300 milhões, possui aproximadamente 40 mil metros quadrados, com 12 suítes e cinco bangalôs, entre outras estruturas.
Outro ponto destacado na reportagem é que Alexandre de Moraes trocou seu número de telefone celular em 9 de fevereiro, poucas semanas antes de se tornarem públicas ligações telefônicas consideradas delicadas entre ele e Vorcaro.
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Possível delação premiada
Segundo as informações obtidas por O Globo, o banqueiro passou a considerar seriamente a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada. A hipótese teria sido discutida inicialmente em janeiro, ainda de forma preliminar, mas ganhou força após sua segunda prisão.
Caso a colaboração seja formalizada, a estratégia da defesa prevê que o acordo seja negociado diretamente com a Polícia Federal (PF), e não com a Procuradoria-Geral da República (PGR), onde a avaliação da equipe jurídica seria de que haveria menor possibilidade de aceitação.
A eventual mudança de estratégia também pode provocar alterações na equipe de advogados responsável pela defesa de Vorcaro.
Mensagens encontradas no celular
Outro ponto central da investigação envolve mensagens escritas por Vorcaro no bloco de notas do celular no dia de sua prisão, em 17 de novembro de 2025. Os textos tratavam do avanço das negociações para a venda do Banco Master e incluíam perguntas como: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Segundo a reportagem de Malu Gaspar, após escrever as mensagens, Vorcaro teria feito capturas de tela (prints) e enviado as imagens com visualização única por aplicativo de mensagens ao ministro Alexandre de Moraes. No material analisado pela reportagem, constariam o nome e o número do ministro, dados confirmados pelo jornal após checagem com fontes próximas à investigação.
Negativas e versões divergentes
Em nota divulgada posteriormente, Moraes negou ter recebido qualquer mensagem de Vorcaro. O ministro afirmou que os prints estavam vinculados a pastas de outras pessoas no material extraído do celular do banqueiro e enviado à CPI do INSS, o que, segundo ele, indicaria que as mensagens teriam sido destinadas a outros contatos.
Uma das capturas de tela, por exemplo, estava na mesma pasta que o contato da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A assessoria da advogada informou que ela também não recebeu as mensagens.
“A dra. Viviane Barci de Moraes informa que não recebeu as referidas mensagens”, declarou o escritório de advocacia Barci de Moraes, que presta serviços ao Banco Master desde janeiro de 2024, com previsão de remuneração mensal de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, conforme revelou O Globo.
Situação semelhante ocorreu com Antônio Rueda, presidente do União Brasil, e com o senador Irajá Abreu (PSD-TO), cujos contatos também estavam associados a algumas das capturas de tela nos arquivos analisados. Ambos negaram ter recebido qualquer mensagem de Vorcaro.
Análise técnica da Polícia Federal
Peritos da Polícia Federal ouvidos pela reportagem contestam a explicação apresentada por Moraes sobre a organização dos arquivos. Segundo os especialistas, o fato de mensagens e contatos aparecerem na mesma pasta não indica necessariamente quem foi o destinatário das mensagens.
Os técnicos explicam que o material entregue à CPI foi extraído utilizando o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), software desenvolvido pela Polícia Federal para análise de provas digitais. O sistema reorganiza automaticamente os arquivos com base em algoritmos matemáticos que garantem a integridade dos dados.
Assim, a disposição das pastas e arquivos não representa necessariamente a estrutura original do celular de Vorcaro, mas sim a forma como o programa organiza os dados durante a análise pericial.
O material analisado pela CPI resulta do espelhamento do celular do banqueiro, além de arquivos armazenados remotamente em serviços de nuvem, como o iCloud. O histórico completo de conversas do WhatsApp não fazia parte da extração inicial entregue à comissão, embora a Polícia Federal tenha conseguido recuperar parte desses registros durante o andamento das investigações.






