Toffoli é sorteado relator de ação no STF que cobra criação da CPI do Banco Master

Pedido apresentado busca obrigar Câmara a instalar comissão para investigar negociação envolvendo o Banco Master e o BRB.
Toffoli é sorteado relator de ação no STF que cobra criação da CPI do Banco Master
Dias Toffoli foi sorteado relator no STF de ação que pede instalação da CPI do Banco Master (Foto: Reprodução)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli foi sorteado, na tarde desta quarta-feira (11), como relator de uma ação que pede a instalação da chamada CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados. O processo foi distribuído automaticamente pelo sistema do tribunal e já consta vinculado ao gabinete do ministro.

Apesar do sorteio, Toffoli ainda poderá se declarar impedido ou suspeito de analisar o caso quando o processo chegar oficialmente para análise em seu gabinete.

A ação foi apresentada pelo deputado federal e ex-governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o parlamentar solicita que o STF determine a instalação da comissão parlamentar de inquérito para investigar possíveis irregularidades na negociação envolvendo a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

O episódio tem gerado forte repercussão política no Distrito Federal e provocado desgaste para a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Nesta quarta-feira, partidos como PSOL e Rede apresentaram um pedido de impeachment contra o governador, citando o escândalo envolvendo o banco.

De acordo com ata divulgada pelo STF, o processo foi distribuído às 13h53 por livre sorteio entre os ministros da Corte. Apenas o presidente do tribunal, Edson Fachin, não participa desse tipo de distribuição, por se tratar de um mandado de segurança.

Ao acionar o Supremo, Rollemberg argumentou que o requerimento para criação da CPI já conta com o apoio de mais de 200 deputados federais, superando o mínimo de um terço dos parlamentares da Câmara necessário para a instalação da comissão.

Segundo o deputado, a gravidade das suspeitas relacionadas ao caso justificaria a investigação parlamentar, mas a instalação da CPI estaria enfrentando resistência do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

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Contexto da investigação

A distribuição da ação ocorre semanas após Toffoli ter deixado a relatoria das investigações relacionadas ao caso Banco Master, em 12 de fevereiro. Na ocasião, o ministro se afastou do processo em meio a questionamentos sobre possíveis vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso.

Um relatório da Polícia Federal entregue ao presidente do STF apontou indícios de conexões entre Vorcaro e o ministro, incluindo a participação de Toffoli como sócio em um resort que teria recebido investimento do banco.

Apesar da saída do processo, o STF não reconheceu formalmente a suspeição do ministro. Com isso, decisões tomadas por Toffoli durante o período em que esteve à frente da investigação continuam válidas.

Julgamento sobre prisão de banqueiro

Na próxima sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF iniciará um julgamento virtual que analisará a decisão do atual relator do caso no tribunal, ministro André Mendonça, que determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.

Entre interlocutores próximos de Toffoli, a expectativa é de que o ministro participe da análise do caso e acompanhe o entendimento de Mendonça.

Durante o período em que supervisionou as investigações, Toffoli protagonizou embates públicos com a Polícia Federal. O ministro chegou a criticar a atuação da corporação, acusando-a de falta de empenho no avanço das diligências.

Entre decisões consideradas controversas no processo, Toffoli determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e armazenado no STF. Posteriormente, ordenou o envio do conteúdo à Procuradoria-Geral da República (PGR) e indicou um grupo restrito de peritos para analisar os documentos.

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