Petrobras anuncia aumento no diesel para distribuidoras a partir deste sábado

Reajuste de R$ 0,38 por litro ocorre após alta do petróleo no mercado internacional.
Petrobras anuncia aumento de 11,6% no diesel para distribuidoras a partir deste sábado
Reajuste no diesel entra em vigor a partir deste sábado, 14 (Foto: Reprodução)

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (13) um reajuste no preço do diesel vendido às distribuidoras. A partir deste sábado (14), o valor do combustível nas refinarias terá aumento de R$ 0,38 por litro, o que representa uma alta de 11,6%.

Com o reajuste, o chamado diesel A, comercializado pela estatal para distribuidoras, passará a custar R$ 3,65 por litro. Essa é a primeira alteração no preço desde maio de 2025, quando houve redução no valor do combustível.

O anúncio ocorre um dia após o governo federal divulgar um conjunto de medidas para conter a escalada do preço do diesel, incluindo a isenção de PIS/Cofins sobre o combustível. A retirada desses tributos tende a amenizar o impacto do reajuste no preço final ao consumidor.


Alta do petróleo pressionou reajuste

A decisão da Petrobras acontece em meio à valorização recente do petróleo no mercado internacional. Nos últimos dias, o barril da commodity voltou a superar a marca de US$ 100, aumentando a pressão sobre as empresas petrolíferas para atualização dos preços dos combustíveis.

O diesel vendido nas refinarias — chamado de diesel A — é adquirido pelas distribuidoras e posteriormente misturado ao biodiesel, formando o diesel B, que é o combustível efetivamente vendido aos postos.

Considerando essa mistura obrigatória, a alta no preço final do diesel B deve ser um pouco menor, estimada em cerca de R$ 0,32 por litro.


Diferença de preços em relação ao mercado internacional

Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço do diesel praticado pela Petrobras ainda apresenta uma grande defasagem em relação ao mercado internacional.

De acordo com a entidade, o combustível vendido pela estatal está 72% abaixo da paridade internacional, o que representa cerca de R$ 2,34 por litro a menos que o valor de referência no exterior.

A gasolina também apresenta diferença significativa, com preços cerca de 43% inferiores ao mercado internacional.

Apesar do aumento anunciado, a Petrobras informou que o diesel ainda acumula queda real de aproximadamente 29,6% desde dezembro de 2022, considerando a inflação do período.


Governo tenta conter impacto nos preços

Para reduzir os efeitos do aumento do diesel, o governo federal anunciou nesta semana um pacote de medidas que inclui:

  • zerar o PIS/Cofins sobre o diesel;
  • concessão de subvenção para importadores e produtores do combustível;
  • criação de imposto temporário sobre exportação de óleo bruto e diesel;
  • aplicação de multas para empresas que não repassarem os benefícios ao consumidor final.

A Petrobras já sinalizou que pretende aderir à Medida Provisória que prevê o pagamento de subsídio, mas informou que a assinatura do termo de adesão dependerá da publicação de normas regulatórias pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Essas regras definirão o preço de referência necessário para a operacionalização da subvenção econômica.


Movimentações recentes no preço do diesel

Nos últimos meses, o diesel passou por uma sequência de ajustes nas refinarias da Petrobras:

  • 01/02/2025 – R$ 3,72 (alta de R$ 0,22)
  • 01/04/2025 – R$ 3,55 (queda de R$ 0,17)
  • 18/04/2025 – R$ 3,43 (queda de R$ 0,12)
  • 06/05/2025 – R$ 3,27 (queda de R$ 0,16)

Com o novo reajuste, o preço volta a subir após quase um ano sem aumento nas refinarias.


Refinaria privada também elevou preços

Na quinta-feira (12), a Refinaria de Mataripe, localizada na Bahia e administrada pela empresa Acelen, também anunciou reajustes expressivos nos combustíveis.

O diesel S10 passou de R$ 4,18 para R$ 5,00 por litro, alta de 19,5%, enquanto o diesel S500 subiu de R$ 4,08 para R$ 4,90, aumento de 20%. A gasolina também registrou reajuste de 7,4%, passando de R$ 3,05 para R$ 3,28.

A refinaria pertenceu à Petrobras, mas foi privatizada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente integra o grupo Acelen, controlado pelo fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos.