Vorcaro troca defesa e enfrenta investigações por operações milionárias

Banqueiro chegou a receber atendimento na área de saúde da prisão ao saber que teve pedido de liberdade negado pelo STF.
Vorcaro troca defesa e enfrenta investigações por operações milionárias
STF formou maioria para manter prisão do banqueiro Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ficou “frustrado e abatido” após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter sua prisão. A informação foi relatada por advogados que estiveram com ele na Penitenciária Federal de Brasília, na sexta-feira (13), logo após a divulgação do resultado do julgamento na Segunda Turma da Corte.

Segundo apuração, a administração do presídio solicitou que a equipe de defesa levasse alguns medicamentos ao detento. Vorcaro chegou a receber atendimento na área de saúde da unidade, mas, de acordo com os advogados, não houve registro de qualquer problema mais grave. Entre os remédios entregues estavam dipirona e omeprazol.

Durante o encontro, o banqueiro também comunicou a mudança em sua equipe de defesa. O caso passará a ser conduzido pelo criminalista José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, advogado com atuação em processos de grande repercussão e acordos de delação premiada.

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Operações financeiras sob investigação

Daniel Vorcaro é alvo de investigações que apuram um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo fundos de investimento administrados pela gestora Reag Investimentos.

Documentos enviados pela Receita Federal à CPMI do INSS indicam que o banqueiro teria obtido mais de R$ 440 milhões em lucros em operações de compra e venda de cotas de fundos em 2023.

Em uma das transações analisadas, Vorcaro adquiriu cotas do fundo Hans II por R$ 2,5 milhões em 27 de dezembro de 2023. No dia seguinte, vendeu os ativos para o fundo Itabuna por R$ 294,5 milhões, obtendo um ganho de capital superior a R$ 291 milhões em apenas 24 horas.

Segundo os dados apresentados, os ativos registraram valorização de 11.474%, multiplicando o valor inicial em 116 vezes.

Outra operação semelhante teria ocorrido entre maio e junho de 2023. Na ocasião, Vorcaro comprou cotas do Hans II por R$ 10 milhões e vendeu uma semana depois para o Astralo Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado I (Astralo 95) por R$ 160 milhões, registrando valorização de 1500%.

Somadas as duas operações, os lucros ultrapassariam R$ 441,9 milhões, valor equivalente a 36 vezes o capital inicialmente investido.

Transferências e suspeitas de lavagem

As investigações também apontam que Vorcaro teria transferido R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma offshore nas Ilhas Cayman em 2025. Desse total, cerca de R$ 555,7 milhões teriam sido movimentados por meio do GSR Fundo de Investimento, cujo acionista único é o próprio Astralo 95.

A gestora Reag Investimentos, responsável por administrar alguns dos fundos envolvidos, também se tornou alvo de investigações. A empresa foi atingida pela Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura movimentações financeiras consideradas atípicas, supostas fraudes e lavagem de dinheiro.

Além disso, a gestora também aparece nas investigações da Operação Carbono Oculto, que analisa possíveis ligações entre o setor de combustíveis e organizações criminosas, incluindo suspeitas de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em janeiro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Investimentos.

Prisão e transferência para presídio federal

Daniel Vorcaro foi preso duas vezes no âmbito da Operação Compliance Zero. A primeira ocorreu em 17 de novembro, quando ele se preparava para embarcar para a Europa. Já a segunda prisão foi realizada em 4 de março, em São Paulo, durante a terceira fase da investigação.

Inicialmente detido na Penitenciária 2 de Potim, no interior paulista, o banqueiro foi posteriormente transferido para a Penitenciária Federal de Brasília. A Polícia Federal justificou a mudança afirmando haver necessidade de garantir a integridade física do investigado.

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