A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, confirmou nesta segunda-feira (16) que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou para Portugal, em 2024, acompanhado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, um dos principais investigados em um esquema de fraudes envolvendo aposentadorias e pensões.
A informação foi divulgada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, que, pela primeira vez, reconheceu a relação entre Lulinha e o investigado. Apesar disso, ele negou qualquer irregularidade, afirmando que o cliente não participou das fraudes, não tinha conhecimento do esquema e não recebeu recursos ilícitos.
Segundo a defesa, a viagem ocorreu em novembro de 2024, a convite do lobista, para visitar uma fábrica de produtos de cannabis medicinal em Portugal. O advogado afirmou que não houve qualquer parceria comercial decorrente do encontro.
“Fábio foi convidado por Antônio Camilo, então visto como empresário do setor farmacêutico, e aceitou o convite para conhecer a produção de canabidiol. Não houve contrato ou relação de negócios”, explicou.
Investigação e quebra de sigilo
O caso é investigado pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, além de ser alvo de apuração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Durante as investigações, foram identificados pagamentos que somam R$ 1,5 milhão, feitos por uma empresa ligada ao lobista para uma empresa da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A suspeita é que esses valores possam ter relação indireta com o filho do presidente, hipótese negada pela defesa.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal também levantaram dúvidas sobre o destino de parte dos recursos, mas não há confirmação de que Lulinha tenha sido beneficiado.
Além disso, um ex-funcionário do lobista afirmou em depoimento que Antunes mencionava o pagamento de uma suposta “mesada” de R$ 300 mil ao filho do presidente — informação que também foi rejeitada pelo advogado.
Defesa nega lobby e irregularidades
O advogado afirmou que Lulinha não atuou em qualquer tipo de lobby junto ao Ministério da Saúde ou à Anvisa para favorecer empresas ligadas ao investigado, especialmente no setor de produtos à base de canabidiol.
A defesa também destacou que a quebra de sigilos bancário e fiscal do empresário não identificou irregularidades. Segundo os dados, Lulinha movimentou cerca de R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026, incluindo transferências internas e operações financeiras consideradas regulares.
“A quebra de sigilos não trouxe nenhum elemento que comprometa o Fábio em relação às investigações do INSS. Ele não tem ligação direta ou indireta com os fatos apurados”, afirmou Carvalho.
A quebra de sigilo determinada pela CPMI chegou a ser suspensa por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda será analisada pelo plenário da Corte.
As investigações seguem em andamento para esclarecer a extensão do esquema e possíveis conexões entre os envolvidos.






