A recente disparada no preço do diesel tem gerado forte impacto no agronegócio do sul do Maranhão, especialmente em Balsas, um dos principais polos agrícolas da região do Matopiba. Em poucos dias, o litro do combustível saltou de cerca de R$ 5,95 para até R$ 7,96, uma alta de aproximadamente 33,78%, pressionando diretamente os custos de produção e transporte.
A região concentra grande parte da produção de soja, milho e algodão, com escoamento majoritariamente feito por caminhões até o Porto do Itaqui e por conexões ferroviárias. Como o diesel é essencial em toda a cadeia produtiva — desde o funcionamento de máquinas agrícolas até o transporte da safra —, o aumento agrava um cenário já delicado para os produtores.
Além de fatores externos, como a valorização do petróleo no mercado internacional em meio a tensões no Oriente Médio, produtores relatam reajustes considerados abruptos e dificuldades de abastecimento em distribuidoras. Diante das denúncias, o Instituto de Promoção e Defesa do Cidadão e Consumidor do Maranhão (Procon-MA) ingressou com ação civil pública para apurar possíveis aumentos sem justificativa.
O cenário se soma a uma safra marcada por queda na produtividade e recuo no preço da soja, o que reduz as margens de lucro e amplia a preocupação com reflexos no custo dos alimentos e na logística regional.
Governo avalia medidas para conter alta
Em resposta à escalada nos preços, o governo federal propôs aos estados a desoneração temporária do ICMS sobre a importação de diesel, como forma de aliviar os custos para consumidores e setores produtivos.
A proposta, apresentada no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), prevê isenção do imposto até o fim de maio, com compensação de 50% das perdas de arrecadação pela União. A estimativa é de uma renúncia de cerca de R$ 3 bilhões por mês, dividida entre governo federal e estados.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a medida é emergencial e busca reduzir os efeitos da alta internacional do combustível, agravada pela guerra no Oriente Médio e pelo aumento nos custos de importação.
Apesar disso, ainda não há consenso entre os estados. O tema será levado aos governadores, e a decisão final deve ser tomada em reunião marcada para o próximo dia 27, em São Paulo.
Enquanto isso, produtores e caminhoneiros seguem atentos aos desdobramentos, temendo novos aumentos e possíveis impactos ainda mais profundos na economia regional.






