Procurador-geral pede afastamento de vice-governador e caso gera embate político

Felipe Camarão nega irregularidades e fala em perseguição.
Procurador-geral pede afastamento de vice-governador do MA e caso gera embate político
Procurador-geral do Maranhão pediu afastamento do vice-governador Felipe Camarão (Foto: Reprodução)

O procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira, solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado o afastamento imediato do vice-governador Felipe Camarão (PT). O pedido, em caráter liminar, está baseado em investigações que apontam suposta ligação do gestor com um esquema de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras consideradas atípicas e possíveis crimes contra a administração pública.

De acordo com informações do documento encaminhado ao Judiciário, Camarão teria utilizado terceiros, incluindo parentes e policiais militares de sua segurança, para movimentar cerca de R$ 6,3 milhões, além da aquisição de aproximadamente R$ 4,7 milhões em imóveis de alto padrão em São Luís. O Ministério Público sustenta que os valores teriam sido operados por meio de uma rede de “laranjas”, com transferências via Pix incompatíveis com a renda declarada.

O pedido de afastamento foi acompanhado de uma solicitação para apuração do vazamento de informações sigilosas da investigação. Segundo o MPMA, trata-se de um fato grave que compromete a integridade do processo investigativo. O órgão afirmou que o procedimento tramita há mais de um ano sob sigilo e que, desde o envio ao Tribunal de Justiça, não houve qualquer manipulação interna.

Em nota (Leia no final do texto na íntegra), o Ministério Público também pediu a realização de perícia para identificar a origem do vazamento, além de medidas para reforçar a segurança das informações, incluindo a análise de acessos ao sistema e eventual responsabilização administrativa e criminal dos envolvidos.


Defesa e reação política

Pelas redes sociais, o vice-governador Felipe Camarão reagiu às informações divulgadas, afirmando ter recebido “com indignação” o que classificou como vazamento criminoso. Ele declarou não ter tido acesso prévio à investigação e afirmou que o caso possui “clara finalidade de exposição seletiva e constrangimento público”.

Camarão também levantou suspeitas sobre possíveis motivações políticas por trás do episódio, citando a relação do procurador-geral com o irmão do governador Carlos Brandão, de quem se afastou politicamente no fim de 2025. O vice-governador afirmou que adotará medidas judiciais para investigar o que chamou de possível “aparelhamento” institucional.

“Minha trajetória pública de 25 anos não será manchada por esse tipo de prática. Não aceitarei perseguição política travestida de atuação institucional”, declarou.


Caso segue sob análise

O pedido de afastamento agora será analisado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, que decidirá sobre a concessão ou não da medida liminar. Enquanto isso, o caso amplia a tensão no cenário político estadual e levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre investigações sigilosas e seus impactos públicos.

Leia abaixo a nota do Ministério Público na íntegra

O Ministério Público do Maranhão informa que foi encaminhado, nesta sexta-feira, 20, ofício ao presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão solicitando apuração de vazamento de informações protegidas por sigilo judicial, além da adoção das medidas cabíveis.

De acordo com o documento, assinado pelo procurador-geral de justiça, Danilo de Castro, trata-se de fato de extrema gravidade institucional visto que há necessidade de preservação do processo investigativo.

Frisa-se que a investigação tramita no Ministério Público do Maranhão há mais de 1 ano sem qualquer publicização de seu teor, assim como tantos outros procedimentos envolvendo autoridades detentoras de prerrogativa de foro. Reforça ainda que, desde que foi protocolada a petição está no Tribunal de Justiça do Maranhão, não tendo sido manipulada, desde então, por este órgão ministerial.

Reforça-se a necessidade de uma perícia para identificar a origem do vazamento, assim como todas as medidas cabíveis solicitadas no ofício encaminhado ao judiciário, quais sejam:

a) promover a rigorosa apuração do vazamento de informações protegidas por sigilo judicial nível 5, com a identificação de sua origem e de seus responsáveis;

b) determinar a verificação dos registros de acesso aos autos, inclusive quanto a habilitações, consultas, visualizações, extrações, downloads e demais movimentações rastreáveis no sistema;

c) adotar todas as providências necessárias ao reforço e à preservação do sigilo processual, inclusive mediante revisão das permissões de acesso e implementação, se necessário, de salvaguardas adicionais de segurança da informação;

d) sendo constatada qualquer irregularidade, promover as medidas administrativas, disciplinares e demais providências cabíveis, sem prejuízo de eventual comunicação aos órgãos competentes.

O Ministério Público destaca, ainda, que a divulgação indevida de informações relativas a procedimentos sigilosos, quando caracterizada, pode configurar ilícito, nos termos da legislação vigente, devendo ser devidamente apurada.

Por fim, o Ministério Público reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência responsável e a defesa da sociedade, mantendo sua atuação independente, imparcial e fiel aos princípios que regem a sua missão constitucional.