Receita declara R$ 80 milhões repassados para escritório da esposa de Moraes

Dados da Receita Federal revelam repasses milionários entre 2024 e 2025; defesa nega irregularidades e cita sigilo fiscal.
Banco Master repassou R$ 80 milhões a escritório da esposa de Alexandre de Moraes
CPI analisa R$ 80 milhões pagos a escritório da esposa de Moraes (Foto: Divulgação)

O Banco Master declarou à Receita Federal pagamentos que somam R$ 80.223.653,84 ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Os dados, referentes aos anos de 2024 e 2025, foram posteriormente encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Congresso Nacional.

Os valores constam em registros fiscais vinculados ao recolhimento de impostos retidos na fonte, mecanismo aplicado diretamente após a emissão de notas por prestação de serviços. A CPI teve acesso às informações após identificar que esses dados não haviam sido incluídos na primeira remessa enviada pelo Fisco.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que não confirma “informações incorretas e vazadas ilicitamente”, destacando que dados fiscais possuem caráter sigiloso.

A relação contratual entre o banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, e o escritório já havia sido revelada em dezembro de 2025 pelo jornal O Globo. Documentos obtidos à época indicavam um acordo com pagamentos mensais de cerca de R$ 3,6 milhões ao longo de 36 meses.

Segundo os dados declarados à Receita, os repasses ocorreram entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, totalizando 22 meses de pagamentos mensais de R$ 3.646.529,72. No período, o banco também informou ter recolhido aproximadamente R$ 4,93 milhões em tributos retidos na fonte.

Em março, o escritório divulgou que foi contratado para prestar serviços jurídicos amplos ao Banco Master, com atuação de uma equipe de 15 advogados. Ainda de acordo com a nota, foram realizadas 79 reuniões na sede da instituição financeira, além da contratação de três outros escritórios especializados, sob coordenação da banca.

No âmbito político, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI, informou que o colegiado não terá o prazo prorrogado. A decisão foi tomada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sob a justificativa de evitar impactos em ano eleitoral.

Instalada em novembro, a CPI do Crime Organizado encerra suas atividades na próxima terça-feira (14). O relatório final deverá ser apresentado com base nas informações já reunidas ao longo das investigações.

Com informações do g1 e TV Globo