Famílias voltam a protestar por respostas sobre mortes no Hospital da Criança

Manifestação em São Luís cobra conclusão das investigações e medidas para reforçar a segurança nas UTIs pediátricas.
Famílias voltam a protestar por respostas sobre mortes no Hospital da Criança
Familiares voltam a protestar em frente ao Hospital da Criança, em São Luís (Foto: Divulgação)

Familiares de crianças que morreram após atendimento no Hospital da Criança realizaram uma nova manifestação em frente à unidade, na manhã desta segunda-feira (20), em São Luís. Pais, amigos e apoiadores cobraram respostas das autoridades, agilidade nas investigações e a responsabilização de eventuais envolvidos em possíveis irregularidades.

O grupo também reivindicou mudanças capazes de garantir maior segurança aos pacientes atendidos no hospital. Segundo os familiares, os protestos continuarão até que as circunstâncias das mortes sejam esclarecidas.

A mobilização ocorreu poucos dias depois do ato silencioso promovido na quinta-feira (16). Na ocasião, mais de cem cruzes foram colocadas diante do hospital em homenagem às crianças que morreram nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Para os manifestantes, as cruzes simbolizam não apenas o luto, mas também a cobrança por providências que evitem novas mortes.

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Órgãos apuram denúncias

As denúncias relacionadas ao funcionamento das UTIs pediátricas são investigadas pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública do Estado, Polícia Civil e técnicos do Ministério da Saúde.

A apuração busca identificar possíveis falhas na assistência aos pacientes, nas equipes médicas e na administração dos serviços de terapia intensiva. Até a conclusão dos procedimentos, não há definição oficial sobre responsabilidades.

Os familiares pedem que os resultados sejam divulgados com transparência e que eventuais irregularidades sejam corrigidas.

Mortes aumentaram no primeiro semestre

A mobilização ganhou força após a divulgação de dados que indicam crescimento no número de óbitos nas UTIs do hospital. No primeiro semestre de 2026, foram contabilizadas 56 mortes, ante 39 no mesmo período de 2025.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 43,6% em um ano.

Em junho, a UTI 1 registrou 11 mortes entre 38 internações e alcançou ocupação de 94%. Também foi divulgada para o período uma taxa de mortalidade de 38%. Os números apresentados, no entanto, precisam ser detalhados pelos responsáveis, já que a relação direta entre 11 óbitos e 38 internações corresponde a cerca de 28,9%.

Indicadores de mortalidade hospitalar também devem considerar o perfil clínico dos pacientes, a gravidade dos casos e os critérios utilizados no cálculo. Por isso, os dados isolados não permitem determinar as causas dos óbitos, mas reforçam a necessidade de investigação técnica.

Profissionais relatam redução da equipe

As denúncias também envolvem a quantidade de médicos responsáveis pelos plantões. Profissionais relataram que o número de integrantes das equipes teria diminuído depois que a IBMED assumiu a gestão das três UTIs pediátricas, em 2025.

Conforme os relatos encaminhados aos órgãos de fiscalização, o quadro teria sido reduzido de 53 para 18 médicos. Os denunciantes afirmam que a diminuição pode ter afetado a assistência prestada às crianças internadas.

A IBMED contesta os questionamentos e sustenta que mantém os serviços em conformidade com as normas técnicas aplicáveis às unidades de terapia intensiva.

A eventual relação entre o número de profissionais e as mortes ainda depende de análise das escalas, dos prontuários, das condições clínicas dos pacientes e dos demais documentos reunidos pelas autoridades.

Prefeitura atribui repercussão a disputa política

A Prefeitura de São Luís afirma que as denúncias e manifestações estariam sendo exploradas politicamente para atingir a pré-campanha do ex-prefeito Eduardo Braide ao Governo do Maranhão.

Os familiares rejeitam essa interpretação. Eles asseguram que o movimento não possui ligação com partidos ou candidaturas e que a mobilização nasceu da busca por justiça e esclarecimentos.

Para o grupo, atribuir motivação eleitoral ao protesto desvia a discussão sobre as condições de atendimento no hospital e a necessidade de explicar o aumento dos óbitos.

Enquanto as investigações prosseguem, as famílias prometem manter a mobilização e a cobrança sobre o Município e os órgãos responsáveis pela apuração.