O delegado de Polícia Civil Guilherme Souza Filho registrou um boletim de ocorrência após ser alvo de um comentário de cunho racista nas redes sociais, em Paulino Neves. A publicação surgiu depois de uma eleição simulada realizada no município no domingo (23).
Em uma das manifestações, um internauta escreveu que o delegado “parece mais um peão fazedor de caeira”. A declaração foi interpretada como uma tentativa de desqualificá-lo com base na cor da pele e em estereótipos raciais.
Após tomar conhecimento da postagem, Guilherme Souza Filho procurou as autoridades e formalizou a denúncia. O caso deverá passar por investigação para identificar o autor da publicação e apurar as circunstâncias em que a ofensa foi divulgada.
Associação anuncia providências
A Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Maranhão (Adepol-MA) divulgou uma nota de repúdio e informou que adotará medidas nas esferas cível e criminal para buscar a responsabilização do envolvido.
No comunicado, a entidade classificou a manifestação como “abjeta, ofensiva e absolutamente inadmissível” e ressaltou que o conteúdo não pode ser tratado como crítica, opinião ou brincadeira.
A associação também afirmou que a liberdade de expressão não protege práticas discriminatórias e destacou que as redes sociais não constituem um ambiente de impunidade.
“Racismo não será relativizado, minimizado ou tratado como simples excesso verbal. Quem pratica racismo deve responder por ele”, declarou a Adepol-MA no encerramento da nota.
Confira a nota da Adepol-MA
“A Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Maranhão – Adepol-MA repudia, de forma veemente e intransigente, o comentário de conteúdo racista dirigido ao delegado de Polícia Civil Guilherme Souza Filho, recentemente designado para atuar no município de Paulino Neves-MA.
A manifestação publicada em rede social é abjeta, ofensiva e absolutamente inadmissível. Não se trata de crítica, opinião ou brincadeira. Trata-se de um ataque que busca desqualificar um delegado de polícia a partir da cor de sua pele e de estereótipos raciais que não podem ser tolerados. O autor da manifestação será chamado a responder por seus atos.
A Adepol-MA informa que adotará todas as medidas cabíveis nas esferas cível e criminal, buscando a identificação, responsabilização e punição do responsável, nos termos da legislação vigente.
Quem utiliza redes sociais para propagar conteúdo racista precisa compreender que a internet não é espaço de impunidade e que a liberdade de expressão não protege práticas discriminatórias nem autoriza ataques à dignidade de qualquer pessoa.
A ofensa dirigida ao delegado Guilherme Souza é ainda mais grave porque tenta associar a cor de sua pele a uma suposta incapacidade ou inadequação para o exercício de um cargo público de elevada responsabilidade. Essa lógica é intolerável e reproduz uma forma de preconceito que deve ser combatida com firmeza pelas instituições e pela sociedade.
A Adepol-MA não aceitará que qualquer de seus associados seja alvo de ataques dessa natureza e atuará com todo o rigor necessário para que o responsável responda pelas consequências de sua conduta.
Racismo não será relativizado, minimizado ou tratado como simples excesso verbal. Quem pratica racismo deve responder por ele.”






