A Operação Mulher Segura contabilizou 547 prisões no Maranhão entre junho e setembro de 2026, segundo balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA). Foram 466 prisões em flagrante e 81 em cumprimento de mandados judiciais, em ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
Os dados também incluem atendimento às vítimas, acompanhamento de medidas protetivas e atividades de prevenção. Somente em agosto e setembro, a Polícia Civil registrou 2.178 vítimas atendidas, enquanto a Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, realizou 1.056 atendimentos. Os números correspondem a registros de serviços distintos e não devem ser somados como um total de mulheres atendidas.
Como as prisões se distribuem
Em junho e julho, a Polícia Civil realizou 242 prisões em flagrante e cumpriu 31 mandados. No bimestre seguinte, foram mais 223 flagrantes e 50 prisões por ordem judicial. A Patrulha Maria da Penha registrou uma prisão em flagrante em agosto e setembro, completando o total informado pela SSP-MA.
Entre os flagrantes da Polícia Civil no último bimestre, estão:
- 94 por lesão corporal;
- 51 por ameaça;
- 25 por descumprimento de medidas protetivas;
- Seis por estupro;
- Três por tentativa de feminicídio.
Também houve prisões por perseguição, violência psicológica, crimes contra a honra e outras tipificações. As ações da Polícia Civil em agosto e setembro mobilizaram 331 policiais e 86 viaturas.
Fiscalização busca identificar riscos e evitar novas agressões
Além das investigações, a operação envolve o acompanhamento de mulheres em situação de violência e a verificação do cumprimento de determinações judiciais.
Em agosto e setembro, a Polícia Civil acompanhou 302 medidas protetivas. No mesmo período, a Patrulha Maria da Penha fiscalizou 898 medidas protetivas de urgência, com visitas, orientações e articulação com os serviços locais de proteção.
As atividades ocorreram em municípios como São Luís, Cururupu, Buriticupu, Coroatá, Balsas e Bom Jesus das Selvas.
Na capital, em setembro, uma denúncia de possível descumprimento de medida protetiva, acompanhada de relatos de intimidação, levou uma equipe da patrulha a localizar um suspeito. Ele foi conduzido à Casa da Mulher Brasileira para os procedimentos legais.
Escolas e comunidades recebem ações educativas
A mobilização também incluiu palestras, capacitações e encontros para orientar a população sobre violência doméstica e os serviços disponíveis.
Em Cururupu, capacitações reuniram 75 participantes, e palestras em duas escolas alcançaram aproximadamente 225 alunos e colaboradores. Em Bom Jesus das Selvas, uma atividade educativa teve cerca de 420 participantes.
O Corpo de Bombeiros realizou 24 ações educativas e de formação em 12 municípios. Os encontros abordaram violência doméstica e de gênero, assédio, bullying e prevenção da violência no ambiente escolar.
Entre os públicos alcançados estavam estudantes, profissionais da educação, participantes de projetos sociais e integrantes da corporação. Em Paço do Lumiar, as atividades envolveram 310 estudantes; em Caxias, uma palestra reuniu 162 participantes; e, em Timon, outra ação alcançou 200 pessoas.
Profissionais passam por capacitação para acolher vítimas
As formações dos bombeiros incluíram orientações sobre a Lei Maria da Penha, os tipos de violência e os encaminhamentos à rede de proteção.
Também foi trabalhado o protocolo de atendimento pré-hospitalar à mulher em situação de violência, já adotado pela corporação. O objetivo é preparar as equipes para reconhecer sinais de agressão, acolher as vítimas e seguir procedimentos padronizados durante as ocorrências.
Segundo a secretária de Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, a continuidade do enfrentamento depende tanto da atuação dos órgãos públicos quanto da participação da sociedade.
“Denunciar, acolher e orientar são atitudes fundamentais para romper o ciclo da violência e preservar vidas”, afirmou.
Operação tem coordenação nacional
A Operação Mulher Segura é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). No Maranhão, a execução é conduzida pela SSP-MA, com participação da Polícia Civil, Polícia Militar, Perícia Oficial e Corpo de Bombeiros.
A atuação envolve ainda unidades de saúde, escolas, assistência social, Defensoria Pública, Judiciário e entidades de apoio às mulheres, buscando conectar o primeiro atendimento às etapas de investigação e proteção.






