Liberdade vigiada: a virada na história da missionária presa após o 8 de Janeiro

Após decisão do STF, Eliene Amorim de Jesus deixa o presídio de Pedrinhas para cumprir prisão domiciliar.
Liberdade vigiada: a virada na história da missionária presa após o 8 de Janeiro
Eliene Amorim de Jesus deixou o presídio de Pedrinhas para cumprir prisão domiciliar (Foto: Reprodução)

​Após quase dois anos detida no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Maranhão, a missionária evangélica e manicure Eliene Amorim de Jesus, de 28 anos, foi liberada para cumprir prisão domiciliar. A decisão, proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorreu nesta sexta-feira, 4 de abril de 2025.

Contexto da Prisão

Eliene foi presa em 18 de março de 2023, acusada de envolvimento nos atos de 8 de janeiro daquele ano, que resultaram em depredações em prédios públicos em Brasília. Apesar de não possuir antecedentes criminais, ela foi detida preventivamente. A defesa argumenta que não há provas concretas de sua participação ativa nos atos violentos. Segundo relatos, Eliene estava no local como pesquisadora, com o objetivo de escrever um livro sobre os acontecimentos. ​

Decisão Judicial e Medidas Restritivas

A decisão de Moraes permite que Eliene deixe a prisão, mas impõe uma série de medidas cautelares, incluindo:​

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;​
  • Proibição de utilizar redes sociais;​
  • Proibição de conceder entrevistas;​
  • Proibição de manter contato com outros investigados nos mesmos atos;​
  • Restrição de visitas, limitadas a advogados, pais e irmãos.

A liberação ocorreu após significativa pressão popular e campanhas nas redes sociais que denunciavam a situação de Eliene. ​

Repercussão e declarações públicas

O ex-presidente Jair Bolsonaro comentou a decisão em suas redes sociais, destacando a importância da mobilização popular:​

“Hoje, recebemos a notícia: após dois anos presa em Pedrinhas, sem crime e sem julgamento, Eliene está indo para casa. […] Essa ainda não é a liberdade que ela merece. Mas é uma pequena vitória. E é importante reconhecer: ela só aconteceu porque o caso foi exposto, denunciado e ganhou as redes.”

Próximos Passos e Implicações

Embora a prisão domiciliar represente uma mudança na situação de Eliene, sua defesa continua buscando a liberdade plena. O caso levanta debates sobre a duração das prisões preventivas e os limites das medidas cautelares impostas pelo Judiciário.​

A comunidade evangélica e grupos de direitos humanos acompanham de perto o desenrolar do caso, que se tornou emblemático no contexto das prisões relacionadas aos eventos de 8 de janeiro de 2023.