Abastecimento de água em Alcântara atende apenas metade da população

Caema terá que apresentar, em até 60 dias, um plano detalhado de ampliação e modernização do sistema de abastecimento.
Manutenção no Sistema Italuís suspende abastecimento em bairros de São Luís
Manutenção emergencial no Sistema Italuís interrompe abastecimento de água em bairros de São Luís (Foto: Reprodução)

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ingressou com uma ação na Justiça contra a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema), exigindo a regularização do abastecimento de água potável no município de Alcântara. De acordo com informações fornecidas pela própria estatal, apenas 54% da população local têm acesso ao serviço, o que motivou o Ministério Público a pedir, em caráter liminar, a apresentação de um plano emergencial de melhorias.

A ação civil pública foi protocolada pela Promotoria de Justiça de Alcântara na última terça-feira (17) e exige que a Caema entregue, no prazo de 60 dias, um plano detalhado de ampliação do sistema, com cronograma de obras, estimativa de custos, metas intermediárias e fonte de financiamento.

O documento também aponta que um projeto de expansão iniciado em 2018 foi abandonado e nunca retomado. Em resposta oficial ao MP, a Caema informou que a paralisação ocorreu devido à “lentidão da empresa contratada” e reconheceu que não há previsão para retomada ou conclusão da obra.

Para o promotor Raimundo Nonato Leite Filho, a situação configura uma omissão grave:

“Durante todo esse tempo, a Caema não apresentou nenhuma iniciativa concreta. Não retomou projetos, não apresentou soluções e continua tratando o problema com respostas genéricas e protelatórias”, afirmou.

Falta de alternativas e risco à saúde

Além de destacar o impacto da ausência de água potável na saúde pública e na dignidade da população, o Ministério Público critica o modelo de exclusividade do serviço. Sem concorrência, os moradores não têm outra opção de fornecimento, o que acentua a situação de vulnerabilidade.

A ação pede ainda a condenação da Caema ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, além de obrigá-la a investir recursos próprios na modernização da rede e a entregar relatórios trimestrais de acompanhamento das melhorias.

O processo corre na Justiça e aguarda análise do pedido liminar. A Caema ainda não se manifestou publicamente sobre a ação.

Com informações do MPMA