O oficial da Marinha do Brasil, Cristiano da Silva Lacerda, será julgado nesta quarta-feira (16), a partir das 13h, no III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, acusado de assassinar com extrema violência o casal de idosos Geraldo Coelho (73 anos) e Osélia Coelho (72 anos) — pais de seu ex-namorado Felipe Coelho. O crime ocorreu em junho de 2022, no apartamento das vítimas, no Jardim Botânico, Zona Sul da capital.
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o duplo homicídio foi premeditado, motivado por vingança e cometido com meio cruel, tornando impossível qualquer chance de defesa das vítimas, que dormiam em um sofá-cama quando foram atacadas com múltiplas facadas. O réu está preso preventivamente desde a data do crime.
Crime motivado por ciúmes e desejo de vingança
De acordo com as investigações, Cristiano não aceitou o fim do relacionamento com Felipe e, segundo a acusação, decidiu atingir o ex-companheiro da forma mais dolorosa possível: matando seus pais.
Na madrugada de 25 de junho de 2022, ele teria surpreendido os idosos enquanto dormiam, desferindo dezenas de golpes de faca. O juiz Alexandre Abrahão, responsável por levar o caso a júri popular, afirma que a motivação foi torpe e que o réu demonstrou “intenso desejo de impor sofrimento” a Felipe.
Cristiano dividia o mesmo apartamento com Felipe mesmo após o término, que teria ocorrido cerca de dois meses antes do crime, após um episódio de agressão. Na noite do assassinato, Felipe estava em uma festa em Ipanema. Cristiano, tomado por ciúmes, teria decidido agir.
Após matar os pais de Felipe, ele teria ligado para o ex-namorado dizendo que a mãe estava passando mal, a fim de atraí-lo de volta ao local. Quando Felipe retornou, encontrou os pais mortos. Cristiano foi preso em flagrante, ainda no apartamento, sob efeito de medicamentos.

Medidas de proteção e andamento do processo
Durante as audiências de instrução, Felipe Coelho pediu para não depor na presença do acusado, alegando abalo emocional e medo. O juiz autorizou a medida para preservar a integridade da testemunha.
Cristiano da Silva Lacerda responde por duplo homicídio triplamente qualificado, com base nos seguintes agravantes:
- Motivo torpe: vingança pelo fim do relacionamento;
- Meio cruel: uso de múltiplas facadas com requintes de violência;
- Impossibilidade de defesa: ataque durante o sono.
O julgamento ocorre em meio a forte repercussão pelo teor violento do crime e pelo envolvimento de um oficial da Marinha em um caso de feminicídio indireto e violência doméstica com motivação passional.
Com informações do G1 Rio






