Vereador de Itapecuru-Mirim é investigado por exercício ilegal da odontologia

Embora seja técnico em prótese dentária, o parlamentar não possui autorização legal para realizar atendimentos clínicos
Vereador de Itapecuru-Mirim é investigado por exercício ilegal da odontologia
"Irmão Dentista" foi flagrado exercendo ilegalmente a profissão de dentista (Foto: Reprodução)

O vereador de Itapecuru-Mirim (MA), José de Arimateia de Brito, de 60 anos, conhecido como “Irmão Dentista”, foi flagrado nesta terça-feira (29) exercendo ilegalmente a profissão de dentista em uma clínica clandestina montada em uma garagem no Centro da cidade. A ação foi realizada pelo Conselho Regional de Odontologia do Maranhão (CRO-MA), após denúncia anônima.

Embora seja técnico em prótese dentária, José de Arimateia não possui autorização legal para realizar atendimentos clínicos, o que configura exercício ilegal da profissão. Segundo a legislação, profissionais com essa formação devem atuar exclusivamente em laboratórios e sob a supervisão de cirurgiões-dentistas habilitados.

Durante a fiscalização, o CRO-MA encontrou o vereador realizando procedimentos em pacientes, com outros aguardando em uma recepção improvisada. O local apresentava condições precárias de higiene, com equipamentos enferrujados e próteses mal armazenadas. Imagens e vídeos foram registrados como prova. A equipe também constatou que ele vinha prestando atendimentos em comunidades rurais do município.

O caso foi encaminhado à Polícia Civil e ao Ministério Público. Um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) foi registrado na 2ª Delegacia Regional de Itapecuru-Mirim, e o vereador agora responde por exercício ilegal da odontologia. Segundo o presidente do CRO-MA, Joaquim Gonçalves, “ele não pode colocar a mão na boca do paciente. Sua função é restrita à confecção de próteses em modelos, e não à prática clínica.”

Com trajetória política iniciada em 2008 como suplente pelo PT, José de Arimateia foi eleito vereador em 2012, 2016, 2020 e novamente em 2024, desta vez pelo PL. No registro eleitoral, declarou ter ensino médio completo e exerceu ocupações como trabalhador rural, padeiro e confeiteiro antes de ingressar na política.

De acordo com o CRO-MA, este é o nono caso de exercício ilegal da odontologia registrado no estado somente em 2024. A entidade reforça a importância da denúncia para coibir práticas irregulares. “A população deve verificar se o profissional é registrado no Conselho antes de se submeter a qualquer procedimento”, orientou Joaquim Gonçalves. Denúncias podem ser feitas de forma anônima, inclusive com registros fotográficos e vídeos.

Até o momento, o vereador não se pronunciou sobre a acusação.