O juiz Luiz Emílio Braúna Bittencourt Júnior decidiu, nesta terça-feira (26), que o prefeito de Igarapé Grande, João Vítor Peixoto Moura Xavier, continuará preso preventivamente. Ele é acusado de assassinar o policial militar Geison Thiago da Silva dos Santos, de 39 anos, durante a 35ª Vaquejada do Parque Maratá, em Trizidela do Vale. O gestor também responde por homicídio qualificado, receptação e porte ilegal de arma de fogo.
Pedido da defesa rejeitado
A defesa havia solicitado a revogação da prisão, alegando que João Vítor é réu primário, possui residência fixa, bons antecedentes e encontra-se licenciado do cargo de prefeito por 120 dias. Os advogados sustentaram que não haveria risco à ordem pública ou à condução do processo, pedindo a aplicação de medidas cautelares alternativas.
O magistrado, no entanto, entendeu que as circunstâncias do crime revelam elevada gravidade e risco de reiteração delitiva, destacando que primariedade e bons antecedentes não eliminam a necessidade da prisão quando há elementos que justifiquem a medida.
Além disso, a tese de legítima defesa levantada pela defesa não foi acolhida neste momento, ficando para análise durante a fase de instrução processual.
Postagens descartadas
Na mesma decisão, o juiz determinou que publicações de redes sociais apresentadas pela defesa fossem retiradas do processo, por considerar que não tinham relação direta com o caso e poderiam atingir a dignidade da vítima. A medida foi fundamentada na Lei nº 14.245/2021 (Lei Mariana Ferrer).
O Ministério Público já havia se manifestado contra a soltura do prefeito e deve se pronunciar, nos próximos dias, sobre um pedido de habilitação de assistente de acusação.
Dinâmica do crime
De acordo com as investigações, a discussão começou após o policial, que estava de folga, reclamar do uso do farol alto de um veículo. Testemunhas relatam que, após o desentendimento, o prefeito teria se dirigido até o carro, pegado uma arma e efetuado os disparos contra o soldado, que foi atingido pelas costas.
O laudo cadavérico confirmou cinco disparos, sendo ao menos três pelas costas da vítima. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que João Vítor deixa o local correndo, acompanhado de amigos, logo após os tiros.
O policial chegou a ser socorrido em Pedreiras e transferido para o Hospital Geral de Peritoró, onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos.
A defesa do prefeito sustenta que ele teria agido em legítima defesa, versão contestada por testemunhas e pelas provas colhidas no inquérito.






