Ex-deputado “TH Joias” chegou a movimentar R$ 140 milhões em esquema

De acordo com os investigadores, TH ostentava maços de dinheiro em fotos registradas em sua residência, na Barra.
Ex-deputado “TH Joias” chegou a movimentar R$ 140 milhões em esquema
PF encontrou foto e TH Joias deitado numa cama com maços de reais (Foto: Reprodução)

O ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”, foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (3), suspeito de comandar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a própria PF, o grupo movimentou cerca de R$ 140 milhões em cinco anos, incluindo transações em reais e dólares.

De acordo com os investigadores, TH ostentava maços de dinheiro em fotos registradas em sua residência, na Barra da Tijuca, ou na casa de Gabriel Dias Oliveira, o “Índio”, apontado como operador do grupo. Em uma das imagens, ele aparece deitado em uma cama coberta por notas de real — os policiais acreditam que ali estavam cerca de R$ 5 milhões.

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Conversão em dólares para traficante foragido

As investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (PF) e do Ministério Público Federal apontam que parte do dinheiro era destinada ao traficante Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, foragido há mais de dez anos. Em apenas dois meses de 2024 (abril e maio), TH teria convertido R$ 9 milhões em US$ 1,7 milhão para o criminoso.

No episódio de abril, TH recebeu R$ 5 milhões e entregou US$ 1 milhão em parcelas a Índio entre os dias 19 e 30. Em maio, foram R$ 4 milhões convertidos em US$ 750 mil. A PF afirma que TH lucrava com taxas de conversão superiores às praticadas por doleiros.

As mensagens interceptadas mostram ainda que, em 2023, Índio pediu a TH o envio de valores a Pezão, incluindo R$ 55 mil destinados à compra de armas do tipo bazuca antidrones.

Esquema de ocultação

De acordo com a PF, o grupo utilizava operações de câmbio no mercado paralelo, empresas de fachada e “laranjas” para ocultar a origem ilícita dos recursos. A movimentação constante de grandes quantias em espécie teria como objetivo escapar do sistema de controle bancário e “branquear” valores obtidos com o crime organizado.

Em nota, a defesa de TH Joias afirmou que as acusações são “absurdas” e representam “perseguição política a um representante legítimo do povo do Rio de Janeiro”. Os advogados alegam ainda que não tiveram acesso integral aos autos e reafirmaram a confiança em comprovar a inocência do ex-deputado.

As defesas de Índio e Dudu, outro investigado no caso, não foram localizadas.

Com informações do g1 Rio e TV Globo