Uma reportagem do Estadão trouxe novos detalhes sobre a advogada Camilla Ewerton Ramos, apontada como responsável por custear uma viagem do ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, para uma comemoração em Maceió, em novembro de 2025.
Segundo a publicação, Camilla tem atuação frequente em tribunais superiores e mantém vínculos profissionais e pessoais com integrantes do Judiciário. Ela é casada com o desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Newton Ramos, com quem Nunes Marques possui relação desde o período em que atuava na Corte.
Ainda conforme o Estadão, a advogada está ligada a cerca de 30 processos com movimentação recente no TRF-1, a maioria relacionada a questões tributárias. Ela também passou a atuar, no fim de 2024, em recursos do Banco Master no Superior Tribunal de Justiça (STJ), envolvendo créditos que somam pelo menos R$ 460 milhões.
Esses créditos têm origem em ações judiciais movidas por usinas do setor sucroalcooleiro contra a União. Embora as empresas tenham obtido decisões favoráveis, os valores ainda não foram pagos, o que levou o banco a adquirir os direitos com deságio, apostando no recebimento futuro integral.
A reportagem destaca ainda que esse tipo de operação com precatórios e direitos creditórios foi uma das bases da estratégia financeira do Banco Master, levantando questionamentos sobre a solidez patrimonial apresentada ao mercado.
No campo pessoal, Camilla também é conhecida por promover eventos de grande porte. Em 2025, organizou uma festa de 15 anos para a filha, em Brasília, com show do cantor Wesley Safadão, anunciado como atração surpresa durante a celebração.
Sobre a viagem a Maceió, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou, em nota, que participou do evento a convite da advogada, que também teria sido responsável pela organização do voo e dos detalhes da viagem. Camilla declarou que o deslocamento foi privado e custeado com recursos próprios. O desembargador não comentou.
A trajetória da advogada inclui ainda passagem pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), onde atuou como juíza na vaga destinada à advocacia entre 2021 e 2025, após nomeação feita durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso segue repercutindo e levanta questionamentos sobre relações entre membros do Judiciário e profissionais que atuam em processos de grande relevância econômica.






