Aeroportos de SL e Imperatriz entram em pacote de 20 terminais vendidos

Operação reduz alavancagem da antiga CCR e é vista pela companhia como movimento estratégico para fortalecer a estrutura.
Aeroportos de SL e Imperatriz entram em pacote de 20 terminais vendidos por R$ 11,5 bilhões
Motiva, antiga CCR, vende portfólio de 20 aeroportos para a mexicana Asur por R$ 11,5 bilhões (Foto: Divulgação)

A Motiva, antiga CCR, anunciou a venda de seu portfólio de 20 aeroportos para o grupo mexicano Asur em uma operação avaliada em R$ 11,5 bilhões. Do valor total, R$ 5 bilhões serão pagos pela participação nos terminais e R$ 6,5 bilhões correspondem à dívida líquida das concessões que serão transferidas ao comprador. Segundo a empresa, os ativos foram avaliados a um múltiplo de 8,8 vezes o Ebitda, acima do patamar em que a própria Motiva vem sendo negociada na Bolsa, o que, na visão da companhia, representa criação de valor para os acionistas.

Os recursos obtidos com a transação serão destinados principalmente à redução do endividamento da holding. A companhia estima que, após a conclusão do negócio, prevista para 2026, a alavancagem cairá das atuais 3,5 vezes para aproximadamente 3 vezes a relação dívida líquida/Ebitda. Em comunicado, a Motiva destaca que a venda está alinhada à estratégia de reforçar a estrutura de capital em um cenário de restrição de crédito e aumento de custos nos últimos anos.

O pacote negociado inclui 17 aeroportos no Brasil, entre eles o Aeroporto Marechal Cunha Machado, em São Luís, o Prefeito Renato Moreira, em Imperatriz, o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte (administrado em parceria com a Zurich), além da Pampulha, do terminal de Curitiba e de Foz do Iguaçu. Também fazem parte do portfólio os aeroportos internacionais de Curaçao, Quito e Juan Santamaría, na Costa Rica, considerados por analistas do setor como os ativos mais atrativos do conjunto em razão do fluxo de passageiros e do potencial turístico.

A Motiva iniciou formalmente o processo de venda em março, recebendo propostas vinculantes de diferentes grupos internacionais interessados no portfólio aeroportuário. A escolha da Asur consolida a saída da companhia do segmento de aeroportos e marca uma reorientação de foco para outros negócios de infraestrutura e mobilidade.

A conclusão do negócio, porém, ainda depende do cumprimento de condições previstas em contrato, como a aprovação de órgãos reguladores de aviação civil e de defesa da concorrência no Brasil e no exterior. A empresa afirma que o processo segue dentro do cronograma estimado e que a operação representa uma etapa relevante na reorganização do portfólio, com impacto direto na desalavancagem e na capacidade de investimento futuro.