A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida como NOIA, em pessoas que usavam medicamentos para diabetes ou obesidade. Segundo levantamento do g1, 12 registros envolvem semaglutida, princípio ativo de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e um envolve tirzepatida, presente no Mounjaro. Notificações não equivalem necessariamente a 13 pacientes diferentes nem comprovam que os medicamentos causaram os episódios relatados.
A NOIA ocorre quando diminui o fluxo de sangue para a parte anterior do nervo óptico. O sintoma mais característico é a piora repentina da visão, geralmente em um olho e sem dor. A perda visual pode ser permanente. Condições como diabetes e hipertensão também entram na avaliação médica, o que torna essencial investigar cada caso individualmente.
O que já se sabe sobre a semaglutida
O alerta sobre a semaglutida vai além das notificações brasileiras. Em 2025, após revisar estudos, ensaios clínicos e relatos de pacientes, a Agência Europeia de Medicamentos concluiu que a NOIA é um efeito adverso muito raro desse princípio ativo, com frequência estimada em até um caso a cada 10 mil usuários. A Anvisa também determinou a inclusão do risco nas informações dos medicamentos com semaglutida. Isso não significa que a causa das 12 ocorrências notificadas no Brasil já tenha sido estabelecida.
Um estudo publicado em 2024 na revista JAMA Ophthalmology encontrou associação entre o uso de semaglutida e maior risco de NOIA nos grupos examinados. Por ser observacional, o trabalho não permitia, sozinho, demonstrar causa e efeito. A estimativa de risco desse estudo também não deve ser aplicada diretamente a todos os usuários: os participantes foram atendidos em um serviço especializado em problemas do nervo óptico.
Para a tirzepatida, citada em uma das notificações brasileiras, esses dados sobre a semaglutida não permitem afirmar o mesmo risco. A apuração da Anvisa busca esclarecer o que ocorreu nos casos comunicados ao sistema de farmacovigilância.
O que fazer durante o tratamento
Quem está em tratamento com indicação médica não deve interrompê-lo por conta própria apenas por causa das notificações. Se houver perda súbita da visão ou piora rápida da capacidade de enxergar, a orientação da Anvisa e da agência europeia é procurar atendimento médico sem demora. Se a NOIA for confirmada, o tratamento com semaglutida deve ser suspenso sob orientação médica.
A Novo Nordisk afirma que sua análise de ensaios clínicos não identificou aumento da incidência de NOIA entre usuários de semaglutida e considera favorável o balanço entre benefícios e riscos do tratamento. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informa que acompanha os dados de segurança de seus medicamentos, inclusive os relatos oftalmológicos.






