Após dois anos de tentativas frustradas de diálogo com a Prefeitura de São Luís, professores da rede municipal realizaram, na manhã desta quarta-feira (8), uma mobilização em frente à sede da Secretaria Municipal de Educação (Semed), no bairro São Francisco. O ato marcou uma paralisação da categoria, que cobra valorização profissional e melhores condições de trabalho.
De acordo com a categoria, as reivindicações não são recentes. Os professores afirmam que essas pautas já haviam sido assumidas como compromisso pela gestão do prefeito Eduardo Braide, mas seguem sem cumprimento. Diante do que classificam como descaso e ausência de respostas concretas, os profissionais decidiram levar a mobilização para a porta da Secretaria Municipal de Educação, como forma de pressionar por avanços nas negociações.
Entre as principais reivindicações está a mudança na orientação da Semed sobre o cumprimento de 1/3 da jornada de trabalho sem interação com estudantes — período destinado a planejamento pedagógico, correção de atividades e formação continuada. A nova exigência determina que esse tempo seja cumprido exclusivamente dentro das escolas.
Para os professores, a medida desconsidera a realidade das unidades de ensino, que, segundo eles, muitas vezes não possuem espaços adequados nem estrutura tecnológica suficiente para a realização dessas atividades.
“Esse tempo é essencial para o planejamento, estudos e organização do trabalho pedagógico. São muitas tarefas concentradas em um período já curto”, afirmou a professora Ana Paula, durante a mobilização.
Além da questão estrutural, a categoria denuncia sobrecarga de trabalho e aponta o aumento de casos de adoecimento entre profissionais da rede. O Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Municipal (Sindeducação), responsável pela convocação do ato, destaca que a hora-atividade é um direito garantido por lei e fundamental para a qualidade do ensino.
Segundo os manifestantes, a ausência de diálogo com a gestão municipal ao longo dos últimos dois anos tem agravado os problemas enfrentados nas escolas. A mobilização desta quarta-feira busca pressionar por uma abertura de negociação sobre pautas consideradas urgentes e que impactam diretamente a educação pública na capital.
Outro lado
A reportagem do Portal VB tentou contato com a Semed e a Prefeitura de São Luís, mas até o momento não teve retorno. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Vale lembrar que a Prefeitura de São Luís está sem secretário de comunicação há mais de dois anos, desde quando Igor Almeida foi exonerado pelo prefeito Eduardo Braide. A pasta segue sem gestor oficial, e a prefeita Esmênia Miranda, que assumiu o cargo no dia 31 de março, ainda não confirmou se nomeará algum profissional para comandar o setor.






