Duas servidoras do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã, Zona Norte do Rio, foram assassinadas a tiros na tarde desta sexta-feira (1º). A professora Allane de Souza Pedrotti Matos, atingida na cabeça e no ombro, e a psicóloga escolar Layse Costa Pinheiro, ferida na cabeça e no tórax, ainda chegaram a ser socorridas ao Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiram. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Segundo relatos de funcionários, o autor dos disparos, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, funcionário da instituição, trabalhou normalmente pela manhã. À tarde, entrou na sala da direção e efetuou os disparos contra as duas mulheres, que atuavam na Diretoria de Ensino. Em seguida, ele tirou a própria vida. As aulas do turno da noite foram canceladas.

A Polícia Militar informou que agentes do 6º BPM foram acionados por volta das 15h50. Ao chegar ao local, encontraram as duas vítimas feridas e, em buscas pela escola, localizaram o corpo do atirador. O Cefet decretou luto oficial por cinco dias e afirmou, em nota, que a tragédia abalou profundamente a comunidade acadêmica.
Relatos de pânico e correria no campus
O ataque ocorreu em horário de grande movimentação estudantil, o que aumentou o desespero no campus. Estudantes relataram momentos de confusão, corridas e salas sendo trancadas enquanto policiais tentavam controlar a situação.
“Ouvi quatro disparos e depois uma funcionária gritou que havia alguém armado”, contou o estudante Jonatam Araújo, de 19 anos. “Um policial pediu para ficarmos onde estávamos até revistarem tudo”.
A aluna Maria Beatriz Albuquerque, de 18 anos, disse que achou inicialmente que eram ruídos de obra: “Só percebi o perigo quando vi colegas correndo e pedindo socorro. Nunca imaginei uma situação dessas aqui”.
Estagiária no campus, Adrynni Emannuele, 26, relatou que precisou se esconder na cantina. Já Mariah Emanoela, 18, lembrou que havia uma confraternização de fim de ano no momento dos tiros: “Pediram para chamar polícia e Samu. Foi muita correria até conseguirmos sair pelas catracas”.
Professores também se protegeram como puderam. O docente de Física Hilário Rodrigues manteve cerca de 25 alunos trancados na sala: “Não tivemos treinamento para isso. Agimos por instinto”.
As vítimas: trajetórias profissionais e vida acadêmica interrompidas
Allane Pedrotti Matos — professora, pesquisadora e artista
Allane era doutora em Letras pela PUC-Rio, com parte da pesquisa realizada na University of Copenhagen, na Dinamarca. Atuou como coordenadora pedagógica no Cefet, presidiu comissões de Permanência e Êxito e participou da implantação do Ensino Técnico de Nível Médio. Fora da academia, era cantora, pandeirista e integrante do grupo Quilombo Urbano.
Seu último registro nas redes sociais, na manhã do ataque, mostrava um vídeo cantando “Queixa”, de Caetano Veloso.
Layse Costa Pinheiro — psicóloga dedicada e primeira colocada em concurso
Formada em Psicologia pela UERJ, Layse ingressou no Cefet em 2014 após ser aprovada em primeiro lugar no concurso. Trabalhou na gestão de pessoas e, desde 2017, atuava na Psicologia Escolar. Tinha mestrado iniciado na UERJ e se especializou em Gestão de Pessoas. Descrevia-se como apaixonada por música e dança de salão.
A Delegacia de Homicídios investiga a motivação do atirador e apura sua relação com as vítimas e com a instituição. O ataque reacende o debate sobre segurança em ambientes educacionais e apoio psicológico a servidores e estudantes.






