A Polícia Civil do Pará investiga uma babá presa sob suspeita de dopar um bebê de 11 meses com medicamentos psiquiátricos em Belém. A principal linha de apuração aponta que a mulher teria ministrado as substâncias com a intenção de reduzir o trabalho noturno, já que atuava exclusivamente nesse turno.
Segundo o delegado Theo Shüler, responsável pelo caso, a substância administrada pode ter sido quetiapina, remédio usado para tratar esquizofrenia e transtorno bipolar, com efeitos sedativos intensos. “A motivação que a gente entende é que ela queria que o bebê permanecesse dormindo para evitar trabalho”, declarou.
A investigação começou após os pais da criança notarem comportamentos atípicos. “Ele cochilou brincando na motoca e chegou a dormir durante o almoço. Isso acendeu um alerta para a gente”, relatou o pai.
Desconfiados, os pais verificaram as imagens da câmera instalada no quarto da criança. Em uma das gravações, é possível ver a babá segurando o bebê e colocando algo em sua boca. A cena foi encaminhada à polícia.
Com a denúncia formalizada, a babá passou a ser monitorada. Ela foi detida no último dia 19, escondida na casa do namorado. No momento da prisão, a polícia apreendeu medicamentos e seringas, que foram encaminhados à perícia.
Entre os itens encontrados estavam quetiapina (50mg), antipsicótico com efeito sedativo, e sertralina (50mg), antidepressivo com ação ansiolítica. Ambos são de uso adulto e não têm indicação para crianças.
A criança foi levada ao hospital, onde passou por lavagem gástrica e uso de carvão ativado, conforme orientação médica. Também foi submetida a exame toxicológico no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. O laudo está previsto para ser concluído em julho.
A polícia acredita que a administração de medicamentos ocorreu por vários dias. “Uma das teses é que não se trata de um fato isolado. A criança já apresentava sintomas antes”, afirmou o delegado Shüler, que também pede que outras famílias que tenham contratado a suspeita e desconfiem de alguma irregularidade procurem a delegacia.
A babá deve responder por tentativa de homicídio qualificado. A defesa dela afirma que não houve intenção de dopar ou prejudicar a criança e que os medicamentos encontrados já foram devolvidos à família.
Com informações do g1 Pará e TV Liberal






