O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), se manifestou nesta sexta-feira (26) sobre a greve dos rodoviários da empresa 1001, que já compromete o deslocamento de quase um terço dos usuários do transporte público da capital maranhense. Em pronunciamento nas redes sociais, o gestor afirmou ter determinado a abertura do processo de caducidade do contrato com a empresa, o que pode resultar na rescisão definitiva da concessão.
Segundo Braide, a decisão foi motivada pelo não pagamento de salários e benefícios aos trabalhadores na véspera do Natal, além da suspensão do serviço em diversos bairros. “Uma empresa de ônibus deixou de pagar centenas de rodoviários e abandonou usuários do transporte coletivo. Diante dessa falta de respeito e de reiterados descumprimentos contratuais, determinei a imediata abertura do processo de quebra de contrato e o início dos procedimentos para contratação de uma nova empresa”, declarou.
A paralisação entrou no terceiro dia consecutivo nesta sexta-feira e mantém 162 ônibus fora de circulação, o equivalente a aproximadamente 30% da frota que opera em São Luís. Nenhum veículo da empresa deixou a garagem localizada no bairro da Forquilha. Tentativas de negociação entre o sindicato dos trabalhadores e os empresários ocorreram na quarta-feira (24), mas não houve acordo.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Maranhão (Sttrema), seguem em atraso o 13º salário, o adiantamento salarial e o ticket alimentação dos funcionários. A situação tem provocado longas filas e atrasos nos terminais, como no Terminal da Cohab, onde passageiros relatam espera prolongada desde as primeiras horas do dia.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), que representa a empresa 1001, afirma que a paralisação estaria relacionada a supostos descontos irregulares no subsídio municipal pago ao sistema de transporte, alegando descumprimento de decisões judiciais, inclusive da Vara de Interesses Difusos e do Supremo Tribunal Federal.
Em nota, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) negou irregularidades e afirmou que a Prefeitura de São Luís está em dia com o repasse dos subsídios previstos. Segundo a secretaria, as pendências trabalhistas são de responsabilidade das empresas e do sindicato patronal, e o município aguarda um entendimento entre as partes para restabelecer o serviço.
A atual paralisação reacende uma crise recente no sistema. Em novembro, rodoviários da empresa 1001 cruzaram os braços por 12 dias, também por atraso de salários e benefícios. Na ocasião, o retorno das atividades ocorreu após determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-MA), que obrigou o pagamento integral do subsídio às empresas. Outra operadora, a Expresso Marina, chegou a aderir ao movimento, mas retomou o serviço após cinco dias, com a regularização dos valores.
Enquanto o impasse persiste, moradores de bairros como Cohatrac, Forquilha, Parque Vitória, Alto do Turu, Vila Isabel Cafeteira e Ipem Turu seguem enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.






