Governador Brandão indica defensor público como interventor de Turilândia

Intervenção foi aprovada por unanimidade e aponta crise administrativa no município.
Brandão indica defensor público como interventor de Turilândia após decisão do TJMA
Agora, Thiago Josino será submetido à Assembleia Legislativa (Foto: Reprodução)

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou nas redes sociais a indicação do defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macedo para exercer a função de interventor no município de Turilândia. O nome foi encaminhado à Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), que deverá analisar o decreto em sessão extraordinária.

Segundo Brandão, a escolha recaiu sobre um perfil técnico, com experiência na área pública, com o objetivo de restabelecer a normalidade administrativa e garantir a continuidade dos serviços essenciais à população.

“Informo que indiquei para interventor em Turilândia o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macedo. Um perfil técnico e com experiência para tratar da situação administrativa do município. Enviei seu nome à Assembleia Legislativa, assegurando transparência, responsabilidade e o restabelecimento da normalidade dos serviços à população”.

A nomeação ocorre após o Tribunal de Justiça do Maranhão aprovar, por unanimidade, no último dia 23 de janeiro, a intervenção estadual no município pelo prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogado. A medida foi solicitada pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA).


O que prevê a intervenção

Com a decisão, o interventor assumirá exclusivamente o Poder Executivo municipal, enquanto a Câmara de Vereadores continuará exercendo suas funções legislativas. O indicado deverá apresentar relatório detalhado da situação administrativa em até 90 dias.

O decreto formalizando a intervenção ainda será apreciado pela Assembleia Legislativa.


MP aponta ruptura institucional

Durante o julgamento no TJMA, o procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira, afirmou que o caso ultrapassa falhas administrativas comuns e caracteriza uma “ruptura institucional”.

Segundo o Ministério Público, a gestão municipal teria sido capturada por organização criminosa, com práticas como desvio de recursos públicos, fraudes em licitações, descumprimento reiterado de decisões judiciais e tentativa de obstrução da Justiça.

O órgão também sustenta que as irregularidades comprometeram serviços essenciais nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança pública, e que medidas judiciais anteriores — como prisões, afastamentos e bloqueios de bens — não foram suficientes para conter os problemas.


Denúncias criminais

No dia 19 de janeiro, o MP-MA apresentou denúncia contra o prefeito afastado Paulo Curió, além da vice-prefeita, da ex-vice-prefeita e de familiares. Entre os crimes imputados estão organização criminosa, peculato, fraude a licitações, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Outras denúncias envolvendo vereadores e servidores públicos podem ser formalizadas nos próximos dias. Caso a Justiça aceite a denúncia, os investigados passarão à condição de réus.

A defesa de Tânya Karla informou que não irá se manifestar. Advogados de alguns familiares denunciados declararam que os investigados receberam a denúncia com tranquilidade e confiam no esclarecimento dos fatos no decorrer do processo. A reportagem segue tentando contato com as demais defesas citadas.


📌 Contexto político

A intervenção em Turilândia marca um dos episódios mais contundentes da atuação institucional do Estado em municípios maranhenses nos últimos anos, ampliando o debate sobre controle, fiscalização e responsabilidade na gestão pública.


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