Um lance perigoso quase transformou um jogo de futebol em caso de polícia na tarde do último sábado (19), no Estádio Castelão, em São Luís. Durante a vitória por 3 a 0 do Maranhão Atlético Clube (MAC) sobre o Maracanã-CE, pela Série D do Campeonato Brasileiro, o lateral-direito Igor Nunes foi surpreendido por uma linha de pipa que “riscou” seu pescoço durante um contra-ataque. O susto foi grande e gerou apreensão dentro e fora de campo.
“Achei que tinha me machucado. Senti algo no pescoço e parei na hora. Foi um susto muito grande”, relatou o jogador após o jogo. Por sorte, o contato não resultou em ferimentos graves, e ele conseguiu terminar a partida.
Apesar do ocorrido, nem o Maranhão Atlético Clube nem a Federação Maranhense de Futebol (FMF) se pronunciaram sobre o caso até o momento. Mas o incidente revela um problema recorrente na capital maranhense: o uso indiscriminado de linhas cortantes, como cerol e linha chilena, proibidas por lei desde 2020 no estado.
Leis existem, mas falta fiscalização
Em vigor desde outubro de 2020, a Lei Estadual nº 11.344 proíbe a fabricação, comercialização e uso do cerol — mistura de cola e vidro moído — e da linha chilena — uma versão ainda mais perigosa que leva óxido de alumínio. O objetivo da legislação é evitar acidentes como o que ocorreu no Castelão, além de proteger motociclistas, ciclistas, pedestres e crianças que brincam com pipas.
De acordo com a norma, o Procon/MA é o órgão responsável pela fiscalização do comércio dessas linhas cortantes, e sanções podem ser aplicadas com base no Código de Defesa do Consumidor, já que tais produtos oferecem risco à vida e à segurança.
Ações preventivas também foram aprovadas
Em 2023, a Câmara Municipal de São Luís aprovou o Projeto de Lei nº 203/23, que institui a “Semana Municipal de Conscientização e Prevenção do Uso do Cerol”, proposta pelo vereador Dr. Gutemberg Araújo. A medida foi fruto de diálogos com motociclistas da cidade, que há anos denunciam os riscos das linhas cortantes — muitas vezes fatais.
“Essa foi uma demanda trazida por grupos como o Moto Clube Patriotas Brasil. O cerol já tirou vidas, como no caso do empresário Sandro Schons, que caiu de parapente após ter o equipamento cortado por uma linha”, lembrou o parlamentar.
Uso de linha cortante pode ser crime
O Código Penal também pode ser aplicado em situações envolvendo o uso de cerol e linha chilena, sobretudo em casos de acidentes com consequências graves. Crianças e adolescentes flagrados utilizando esse tipo de material podem ser apreendidos e encaminhados às autoridades competentes.
“O mais importante é a consciência coletiva. Precisamos evitar que o que é brincadeira para uns se transforme em tragédia para outros”, alertou Rogério Brabozão, presidente do Moto Clube Patriotas Brasil.
Comentáio da redação do Portal VB
Enquanto isso, o susto vivido por Igor Nunes serve de lembrete: a lei está posta, mas a prevenção ainda é falha. É urgente que autoridades e sociedade cumpram seu papel — para que cenas como a do último sábado não se repitam.






