CBF anuncia profissionalização da arbitragem a partir de 2026 com salários fixos

Modelo prevê elite com 72 profissionais, contratos formais, foco em desempenho, tecnologia e governança.
CBF anuncia profissionalização da arbitragem a partir de 2026 com salários fixos
CBF vai profissionalizar a arbitragem a partir de 2026, criando elite com 72 profissionais (Foto: Divulgação)

Após promover mudanças no calendário do futebol brasileiro e avançar na política de sustentabilidade financeira, a CBF anunciou um passo considerado histórico: a profissionalização da arbitragem a partir da temporada 2026. A medida ataca um dos temas mais sensíveis do futebol nacional e busca reduzir conflitos recorrentes entre clubes, jogadores e árbitros.

O novo modelo prevê a criação de uma elite formada por 72 profissionais, sendo 20 árbitros centrais, 40 árbitros auxiliares e 12 árbitros exclusivos para o VAR. Esse grupo será contratado diretamente pela entidade, com remuneração fixa e variável, permitindo maior estabilidade financeira e dedicação prioritária à função.

O investimento total previsto é de R$ 195 milhões até 2027. Apenas para o grupo de elite, a CBF destinará R$ 24 milhões, com salários que podem chegar a R$ 30 mil mensais, além de bonificações atreladas ao desempenho — medida que considera, entre outros fatores, o número de escalações na Série A do Campeonato Brasileiro.

Contratos, critérios e rotatividade

Embora o Brasileirão comece ainda nesta semana, os contratos passam a valer a partir de março. Os nomes dos árbitros centrais, auxiliares e VAR foram anunciados nesta terça-feira, na sede da CBF, junto com os detalhes do trabalho desenvolvido por um Grupo de Trabalho criado especificamente para o tema.

A escolha dos profissionais seguiu critérios já utilizados pela entidade: prioridade para árbitros que integram o quadro da Fifa, além da análise das escalas e das avaliações técnicas dos Campeonatos Brasileiros de 2024 e 2025.

O modelo prevê rotatividade anual, com pelo menos dois rebaixamentos e duas promoções dentro do grupo de elite, estimulando a formação de uma nova geração. Árbitros fora da lista principal continuarão podendo atuar na Série A, conforme critérios técnicos.

Mesmo com contratos formais, a dedicação exclusiva não será obrigatória. Ainda assim, o chefe da Comissão de Arbitragem, Rodrigo Cintra, acredita que o modelo financeiro e estrutural deve desestimular a recusa dos convites.

Resposta a clubes e árbitros

Durante a elaboração do projeto, clubes e árbitros foram ouvidos. Entre as principais queixas das equipes estavam a falta de uniformidade nos critérios, a utilização do VAR, a transparência e a dificuldade de compreensão das regras aplicadas em campo. Já os árbitros apontaram a instabilidade financeira e a inexistência de um padrão profissional claro.

A partir desse diagnóstico, a CBF estruturou o novo sistema com quatro pilares centrais:

  • Treinamento técnico
  • Saúde e performance
  • Tecnologia
  • Governança e estrutura

Os treinamentos presenciais da pré-temporada já seguem essa lógica.

Tecnologia, VAR e novas ferramentas

Um dos eixos centrais do projeto é o investimento em tecnologia. A CBF prevê gastos de R$ 50 milhões com o VAR nos próximos dois anos, além de melhorias estruturais nas centrais de operação e na dinâmica de revisão dos lances. A cabine de revisão, inclusive, deve mudar de local nos estádios para reduzir interferências externas.

Outro recurso em testes é o impedimento semiautomático, com previsão de implementação ao longo da temporada. Já a Refcam, tecnologia utilizada na Europa e no Mundial de Clubes da Fifa, também deve ser adotada. O equipamento, acoplado à cabeça do árbitro, permite imagens em primeira pessoa, ampliando a clareza das decisões e ajudando a coibir abordagens agressivas em campo.

Saúde, desempenho e acompanhamento contínuo

Com a profissionalização, os árbitros passarão a contar com um estafe próprio da CBF, responsável por acompanhar desempenho físico e técnico, além de garantir o cumprimento dos contratos. Estão previstos encontros mensais no Rio de Janeiro, com avaliações conduzidas por uma comissão técnica.

A entidade também vai investir em telemedicina e monitoramento remoto. Árbitros utilizarão dispositivos tecnológicos capazes de registrar dados sobre treinamento, sono e alimentação. Equipes multidisciplinares particulares continuarão permitidas, desde que alinhadas às diretrizes da CBF.

Investimento ampliado

Segundo a CBF, a profissionalização elevará o investimento anual em arbitragem em cerca de R$ 50 milhões em relação a 2025. Além dos salários dos árbitros e auxiliares, o orçamento inclui aproximadamente R$ 60 milhões em logística — deslocamento, hospedagem e estrutura — ao longo de dois anos.

Árbitros centrais anunciados

Entre os 20 árbitros centrais selecionados estão nomes como Raphael Claus, Anderson Daronco, Wilton Sampaio, Ramon Abatti Abel, Edina Batista, Savio Sampaio e Rafael Klein, além de outros profissionais do quadro nacional e internacional.

A lista completa inclui ainda 52 auxiliares e 12 árbitros VAR, muitos deles integrantes do quadro Fifa, consolidando um grupo considerado o mais qualificado já reunido pela entidade.

Com a iniciativa, a CBF aposta em padronização, transparência e qualificação contínua como caminho para reduzir erros, fortalecer a credibilidade da arbitragem e responder a uma das maiores demandas do futebol brasileiro nas últimas décadas.

Com informações de Diogo Dantas