Cheia do rio Pindaré acende alerta para transporte, pesca e obras na região

Chuvas intensas no interior do MA elevam nível do rio em quase dois metros e ampliam impactos para ribeirinhos e pescadores.
Cheia do rio Pindaré acende alerta para transporte, pesca e obras na região
Chuvas intensas no interior do Maranhão elevam nível do rio em quase dois metros (Foto: Reprodução)

O nível do rio Pindaré apresentou elevação significativa nas últimas semanas e passou a preocupar comunidades ribeirinhas da região. O aumento do volume de água é reflexo das chuvas intensas registradas em dezembro no interior do Maranhão, especialmente nas áreas onde estão localizadas as nascentes do rio.

De acordo com dados de monitoramento, o nível atual do rio já está quase dois metros acima do volume registrado em novembro. As precipitações se concentraram, sobretudo, entre os municípios de Sítio Novo e Montes Altos, impactando diretamente todo o curso do Pindaré.


Transporte e navegação afetados

Com a cheia, moradores que dependem da navegação fluvial começaram a se preparar para os efeitos do período chuvoso. Barqueiros responsáveis pela travessia entre Monção e Pindaré Mirim relatam prejuízos financeiros, já que o alargamento do rio aumenta o tempo de percurso e eleva o consumo de combustível.

Outro ponto de preocupação recorrente durante as cheias é a circulação de embarcações esportivas em alta velocidade. Em 2025, a Prefeitura de Pindaré Mirim precisou restringir o tráfego de motos aquáticas e lanchas após registros de riscos à segurança de moradores, pescadores e trabalhadores que utilizam o rio diariamente.


Obras do cais e risco de alagamento

A população local também acompanha com apreensão as obras do cais de Pindaré Mirim, iniciadas em dezembro de 2023. Com a elevação do nível do rio, existe o risco de que a área em obras fique parcialmente ou totalmente submersa durante o pico da enchente, o que pode comprometer a estrutura já construída devido à força da correnteza.

Em nota, a Secretaria de Estado da Infraestrutura do Maranhão (Sinfra) informou que os trabalhos seguem dentro do cronograma previsto. Segundo a pasta, durante o período chuvoso, os serviços devem se concentrar na parte superior da obra, com a realização de intervenções urbanísticas.


Pescadores enfrentam dificuldades no defeso

Os pescadores artesanais, que utilizam o rio Pindaré como principal fonte de renda, também sofrem com os impactos da cheia. Entre os meses de dezembro e março, a pesca é proibida por conta da piracema, período de reprodução dos peixes.

Nesse intervalo, os trabalhadores dependem do seguro defeso, benefício pago enquanto a atividade está suspensa. No entanto, muitos afirmam que ainda não receberam o pagamento.

“A gente não tem outro ganho por fora, não tem como tirar outra renda. Se fosse assinado, já era para ter saído a primeira parcela”, afirmou o pescador Luís Carlos Correia.

O Ministério da Pesca e da Aquicultura informou que a demora na liberação do seguro ocorre devido à transferência da gestão do benefício do INSS para o Ministério do Trabalho, além de ajustes técnicos necessários no sistema.

Enquanto isso, comunidades ribeirinhas seguem em estado de atenção, aguardando a estabilização do nível do rio e a regularização dos auxílios que garantem a subsistência durante o período de cheia.