Cine Sesc exibe documentário sobre médico morto na Guerrilha do Araguaia

O filme resgata a trajetória de João Carlos Haas Sobrinho, em um dos episódios mais silenciados da ditadura militar brasileira.
Cine Sesc exibe documentário sobre médico morto na Guerrilha do Araguaia
O filme resgata a trajetória de João Carlos Haas Sobrinho (Foto: Divulgação)

A luta pela memória e pela justiça ganha as telas do Cine Sesc Deodoro, em São Luís, no próximo dia 23 de julho, às 19h, com a exibição gratuita do documentário Doutor Araguaia. O filme resgata a trajetória de João Carlos Haas Sobrinho, médico gaúcho desaparecido durante a Guerrilha do Araguaia, um dos episódios mais silenciados da ditadura militar brasileira.

Com entrada franca e ingressos disponíveis pela plataforma Sympla, o longa de 90 minutos tem direção de Edson Cabral e roteiro de Sônia Haas, irmã do protagonista. A sessão será seguida de um bate-papo com o diretor.

Uma história real de coragem e desaparecimento

Nascido em São Leopoldo (RS) e formado em medicina pela UFRGS, João Carlos atuou como médico voluntário nas regiões de Porto Franco (MA) e Xambioá (TO), atendendo gratuitamente comunidades rurais. Seu envolvimento com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e sua adesão às Forças Guerrilheiras do Araguaia o tornaram alvo do regime. Em setembro de 1972, ele foi assassinado por agentes do Exército, e seus restos mortais nunca foram localizados.

Filme percorre o país e ganha reconhecimento internacional

Doutor Araguaia é resultado de uma produção independente que reúne depoimentos de ex-guerrilheiros, camponeses, pesquisadores e familiares. A trilha sonora inclui cinco músicas inéditas, e a narrativa aposta em uma costura delicada entre o pessoal e o histórico.

Desde o fim de 2024, o documentário vem sendo exibido em diversas cidades brasileiras, como Porto Alegre, Salvador, Recife, Brasília e Araguaína, em sessões marcadas por forte comoção. A produção também foi selecionada para o Lisboa Indie Film Festival 2025, sinalizando seu impacto além das fronteiras nacionais.

Viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, o projeto contou com apoio institucional da Fundação Maurício Grabois, das prefeituras de São Leopoldo (RS) e Porto Franco (MA), e foi realizado pelas produtoras TG Economia Criativa e MZN Filmes.

A exibição em São Luís convida o público maranhense a refletir sobre os traços ainda abertos do passado político brasileiro — por meio da história de um médico que trocou a segurança da profissão pela defesa da liberdade.