Ciro Gomes comunica saída do PDT, após 10 anos, e avalia filiação a outros partidos

Carta foi entregue à direção pedetista e aliados tratam decisão como “questão de tempo”.
Ciro Gomes comunica saída do PDT, após 10 anos, e avalia filiação a outros partidos
Ciro mira palanque oposicionista a Lula em 2026 (Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo)

O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes informou à direção nacional do PDT que está deixando a sigla após quase uma década de filiação. Em carta entregue nesta sexta-feira ao presidente do partido, Carlos Lupi, Ciro sinalizou que estuda se filiar ao PSDB — legenda pela qual governou o Ceará nos anos 1990 — ou ao União Brasil, com o objetivo de integrar um projeto de oposição ao PT nas eleições de 2026.

Embora dirigentes do PDT afirmem que a desfiliação ainda não foi formalizada no sistema partidário, a avaliação interna, reservadamente, é de que a saída é irreversível. Até o fechamento desta edição, Lupi não comentou o assunto.

Por que Ciro sai

Ciro vinha manifestando insatisfação com o alinhamento do PDT aos governos federal e do Ceará, ambos comandados por partidos da base de Lula. Também criticou a condução da crise no INSS, que culminou com a demissão de Lupi do Ministério da Previdência — episódio classificado por Ciro como “fritura”.

Próximos passos

  • União Brasil: tornou-se um destino provável após movimentos recentes no Ceará, onde a sigla faz oposição ao PT. O ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, aliado de Ciro, já migrou para o partido.
  • PSDB: retorno considerado viável. Ciro mantém boa relação com o ex-senador Tasso Jereissati, figura influente no tucanato cearense.

Peso eleitoral recente

  • 2018: melhor desempenho pedetista ao Planalto desde Brizola (1989); Ciro impulsionou a bancada do PDT a 28 deputados federais.
  • 2022: obteve 3% dos votos — seu pior resultado — e o partido encolheu para 17 cadeiras na Câmara.

O que muda no tabuleiro

  • Reconfiguração do campo oposicionista: a filiação de Ciro a PSDB ou União Brasil pode redesenhar a disputa por uma candidatura única contra Lula, com impacto direto nas alianças regionais — especialmente no Ceará.
  • PDT em busca de rumo: sem sua principal referência nacional desde 2015, a sigla precisará recalibrar discurso e nomes para 2026.

Linha do tempo de Ciro e partidos

  • Anos 1990 — PSDB: governador do Ceará (1991–1994).
  • 2000–2010 — Passagens por PPS/PSB e ministérios (Integração Nacional e Fazenda em governos distintos).
  • 2015–2024 — PDT: duas candidaturas presidenciais (2018 e 2022).

Panorama: Após flertar com a aposentadoria política depois de 2022, Ciro volta a se movimentar para liderar um polo anti-PT. A escolha entre PSDB e União Brasil indicará se buscará um projeto liberal de centro-direita com tradição (PSDB) ou um palanque mais pragmático e capilar (União). Nos bastidores, aliados tratam a mudança como iminente.

Com informações de Bernardo Mello – O Globo