Condomínios ficam mais caros no Brasil e inadimplência atinge alto nível

Taxa média sobe quase 25% em três anos e atraso no pagamento já afeta cerca de 12% dos moradores, aponta Censo Condominial.
Condomínios ficam mais caros no Brasil e inadimplência atinge alto nível
Taxa média sobe quase 25% em três anos e atraso no pagamento já afeta cerca de 12% dos moradores (Foto: Reprodução)

O custo de viver em condomínio aumentou de forma significativa no Brasil e começa a pressionar o orçamento das famílias. Dados do Censo Condominial 2025/2026 revelam que o país conta hoje com 327.248 condomínios ativos, que concentram cerca de 39 milhões de moradores. O levantamento foi elaborado com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, da Receita Federal e da plataforma uCondo.

Segundo o estudo, a taxa condominial média no país subiu 24,9% nos últimos três anos, chegando a R$ 516 no primeiro semestre deste ano. Paralelamente, a inadimplência superior a 30 dias avançou para 11,95%, o maior índice do período analisado.

Para Léo Mack, diretor de Operações e cofundador da uCondo, o aumento dos atrasos reflete o cenário econômico mais amplo. “Esse salto está diretamente ligado ao recorde de endividamento das famílias brasileiras, que passaram a priorizar outras despesas básicas”, avalia.

Condomínio vira despesa secundária para famílias endividadas

A percepção é compartilhada por Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira. Segundo ele, diante do aperto financeiro, a taxa de condomínio muitas vezes acaba sendo postergada. “Quando o orçamento estoura, o condomínio entra na fila das contas que ficam para depois”, explica.

O censo mostra ainda a dimensão econômica do setor: cerca de 500 mil pessoas trabalham diretamente com a administração condominial. No caso dos síndicos, a remuneração média nacional é de R$ 1.520, considerando moradores e profissionais, com vínculos formais ou informais. Apesar disso, a função segue pouco valorizada, na avaliação de Mack.

— O síndico acumula responsabilidades técnicas, jurídicas e administrativas. Há um avanço na valorização, mas a média salarial ainda não reflete a complexidade da função em todo o país — afirma.

Inadimplência pode levar à perda do imóvel

O levantamento também revela um aumento expressivo na demanda por serviços: apenas entre os condomínios que utilizam a uCondo, foram registrados mais de 308 mil chamados em 2025, principalmente relacionados a questões administrativas, manutenção e reclamações de convivência.

Com a inadimplência em alta, especialistas alertam para os riscos legais enfrentados por quem deixa de pagar o condomínio. Rodrigo Palacios, sócio da área de Direito Imobiliário do Viseu Advogados, lembra que a legislação tornou a cobrança mais rápida e rigorosa.

— Desde o Código de Processo Civil de 2015, a dívida condominial é considerada título executivo extrajudicial. Isso permite que o condomínio entre diretamente com ação de execução, com possibilidade de penhora e até perda do imóvel — destaca.

O advogado Ermiro Ferreira Neto, doutor em Direito Civil pela USP, reforça que a negociação ainda é o melhor caminho. Segundo ele, o diálogo com o síndico ou a administradora pode evitar consequências mais graves.

— Em muitos casos, o síndico, autorizado pela assembleia, pode negociar parcelamentos e acordos para viabilizar o pagamento da taxa — explica.

Convivência e conflitos no dia a dia

Entre os chamados registrados no censo, 28% foram classificados como reclamações. Os temas mais recorrentes envolvem barulho excessivo, disputas por vagas de garagem, uso das áreas comuns, presença de animais de estimação e conflitos entre vizinhos.

Para Palacios, a judicialização deve ser evitada sempre que possível. “O ideal é apostar no diálogo e na mediação extrajudicial. A Justiça deve ser o último recurso, acionada apenas quando há risco, abuso ou reincidência”, afirma.

O cenário traçado pelo censo indica que, com custos em alta e renda pressionada, a gestão financeira e o diálogo se tornaram peças-chave para evitar conflitos, ações judiciais e prejuízos maiores dentro dos condomínios brasileiros.

Com informações de Caroline Nunes