O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completa 22 dias neste domingo (25) e levou a uma mudança na estratégia das buscas realizadas no município de Bacabal, no Maranhão. A decisão foi tomada após a ausência de novos vestígios nas áreas já vasculhadas e a colheita de depoimentos considerados importantes para a investigação.
Depois de varreduras minuciosas em áreas de mata, regiões alagadas e no rio Mearim, sem a localização das crianças, as autoridades informaram que as buscas em larga escala serão reduzidas. A partir de agora, o foco principal será a intensificação das investigações conduzidas pela Polícia Civil, com a manutenção de equipes em prontidão para ações pontuais, caso novos indícios surjam.
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o trabalho das forças de segurança continua, mas com redirecionamento das ações. “A Polícia Militar e a Polícia Civil vão dar mais vazão às suas atividades investigativas. As buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou.
Mesmo com a mudança de estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas continuam mobilizadas para atuar em áreas de mata e lagoas. “Infelizmente, não encontramos as crianças até o momento. Vamos redirecionar os trabalhos, mantendo grupos especializados, inclusive com apoio do Exército Brasileiro”, acrescentou o secretário.
Para ampliar o alcance das investigações, foi acionado o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil. O sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento. “Esse programa é essencial para aumentar o alcance da busca”, destacou Maurício Martins.
Com autorização da Justiça do Maranhão, o primo das crianças, um menino de 8 anos que estava com Ágatha e Allan no dia do desaparecimento, passou a acompanhar as equipes nas buscas. Ele foi encontrado três dias depois perdido na mata e recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após 14 dias internado. No mesmo dia, auxiliou as equipes indicando os caminhos percorridos pelo grupo.
Acompanhado por policiais e por uma equipe da rede de proteção à infância, o menino apontou os últimos trajetos feitos com os primos até o momento em que foi localizado por carroceiros, no dia 7 de janeiro. As informações fornecidas ajudaram a reconstruir parte do percurso e a esclarecer o momento em que as crianças teriam se separado.
Segundo o relato, a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa do pai do menino. Para evitar serem vistos por um tio, o grupo entrou por outro trecho da mata e acabou se perdendo. O garoto afirmou que não havia adultos acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.
Uma das principais pistas indicadas foi a existência de uma casa abandonada no caminho, descrita como “uma casa caída”, com objetos velhos no interior. A informação foi confirmada pela investigação e pelo trabalho dos cães farejadores, que identificaram vestígios das três crianças no local. Segundo o menino, foi nas proximidades dessa estrutura que ocorreu a separação do grupo.
De acordo com o delegado Ederson Martins, o garoto relatou que seguiu sozinho, enquanto Ágatha e Allan tomaram outro rumo. “Ele não afirma se saiu em busca de ajuda ou para tentar retornar ao ponto inicial. As outras duas crianças já estavam extenuadas”, explicou.
Para proteger o menino, uma rede de apoio foi criada a fim de evitar qualquer tipo de exposição ou assédio. Ele seguirá recebendo acompanhamento psicológico contínuo.
Nos primeiros 20 dias de buscas, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e água, incluindo áreas de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estaduais e federais, além de voluntários, participaram das ações.
O inquérito policial já ultrapassa 200 páginas e conta com apoio de um sistema nacional que permite o cruzamento de dados com outros estados. O caso segue sob protocolo de desaparecimento, com divulgação contínua de informações e imagens nas redes sociais para ampliar as chances de localização das crianças.






